Percorrer por autor "Figueiredo, Tomás Costa Brandão de"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Mitos ideológicos do Estado Novo nos cartazes da propaganda políticaPublication . Figueiredo, Tomás Costa Brandão de; Cadarso, MariaO cartaz de propaganda foi um dos meios utilizados pelo Estado Novo para divulgar os seus valores, glorificar a obra do regime e a ação do ditador Oliveira Salazar. Ao mesmo tempo e durante muitos anos, o cartaz foi um meio muito utilizado para transmitir a ideia de um Estado forte e autoritário, garante da ordem e do progresso do país, em alternativa à 1ª República. Sendo o objetivo de Oliveira Salazar reformar o país conforme as suas crenças, considerava que para o atingir, seria necessário antes de mais, reformar o cidadão português investindo na sua doutrinação criando um “homem novo”. Para o efeito, o Estado Novo, usou diversos meios de comunicação, entre os quais, o cartaz de propaganda, visando aspetos económicos, culturais, ideológicos e principalmente políticos baseados num conjunto de mitos, que suportaram o discurso do regime e uma ideia mítica de nação. No pressuposto de que os textos visuais podem ser lidos com o mesmo rigor e com a mesma recompensa da palavra escrita, procurou-se ao longo da dissertação estudar como o significado, subjacente a cada um dos sete mitos ideológicos identificados pelo historiador Fernando Rosas e apontados como os fundadores do regime estado-novista, foi visualmente construído nas mensagens de um conjunto de cartazes selecionados. Tendo em conta que o Design Visual tem como objetivo comunicar uma mensagem com o propósito de influenciar a maneira como as pessoas pensam, sentem e as decisões que tomam, escolheu-se como tema da dissertação a Propaganda Política do Estado Novo e como objeto de estudo o cartaz de propaganda, dirigido à formação política do povo português, especificamente os que visaram difundir e incutir os sete mitos ideológicos identificados por Fernando Rosas. Com recurso a estratégias de análise visual crítica das imagens que suportam as mensagens dos cartazes produzidos por cartazistas ao serviço do aparelho propagandístico estado-novista, procurou-se identificar os pressupostos ideológicos subjacentes a cada um desses sete mitos e comprovar que o estudo e análise da Cultura Visual pode contribuir para fornecer e/ou reforçar conhecimentos para a História do Estado Novo. Privilegiando a multidisciplinaridade, desenvolveu-se uma pesquisa visual, assente em triangulações teóricas, integrando vários domínios do conhecimento no âmbito do Design, da Cultural Visual, da História do Estado Novo, do Cartaz e das Propagandas, e metodológicas, baseadas no método iconológico de Erwin Panofsky, no método semiótico de Charles Sanders Peirce e no conceito barthesiano de mito. Do cruzamento das teorias de Panofsky, de Peirce e Barthes, resultou uma maior consciência analítico-interpretativa na medida em que tornaram a metodologia mais completa e abrangente, permitindo com base nos resultados obtidos concluir que nenhum dos cartazes que compõem a amostra surgiu aleatoriamente. Existiram sempre eventos e ocorrências direta e indiretamente associados à conceção de cada cartaz, razão pela qual, a tarefa de os analisar e interpretar, não se tratou apenas de os descrever, de dizer quando e por quem foram feitos, mas apresentar uma fundamentação baseada em factos justificando a maneira como foram concebidos. Os resultados revelaram que o mito do novo nacionalismo é o mais frequentado logo seguido do mito palingenético, confirmando que a ideologia subjacente a cada um deles marcou significativamente o discurso do Estado Novo, apresentando a democracia e o liberalismo como as principais causas da decadência do país e com base nisso justificar não só a necessidade de um recomeço nacional, como de um líder com capacidade, determinação e autoridade para comandar a nação. Na terceira posição surge o mito da essência católica da identidade nacional e na quarta surgem, com idêntico peso na amostra, os mitos imperial, da ruralidade e ordem corporativa. O mito da pobreza honrada é o menos frequentado. Por fim, foi possível concluir que o Design é uma disciplina transversal, podendo ser considerado uma ferramenta suscetível de colaborar com outras áreas do conhecimento, nomeadamente a História e que o campo interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar da Cultura Visual fornece uma ampla estratégia geral para entender a produção visual como uma prática social, cultural e política.
