Anastácio, Sofia FerreiraChambinaud, Lucie2026-02-032026-02-032025-11-07http://hdl.handle.net/10400.26/61406Brucella canis, uma bactéria Gram-negativa com carácter zoonótico, foi descrita pela primeira vez em 1966 na sequência de surtos de aborto e infertilidade em cães. Sendo responsável pela Brucelose canina, esta bactéria causa lesão em tecidos reprodutivos, musculoesqueléticos e nervosos, apesar da manifestação ser predominantemente reprodutiva. Em humanos, embora rara, a doença pode ser crónica e com um quadro inespecífico atingindo particularmente grupos de risco como profissionais de saúde animal, crianças, idosos e indivíduos imuno-comprometidos. O mecanismo patogénico e as estratégias de evasão ao sistema imunitário de B. canis são complexas e dificultam a sua eliminação completa pelo hospedeiro. O diagnóstico da infeção apresenta também alguns desafios. Tanto os métodos diretos (i.e. cultura, MALDI-TOF, PCR) como os métodos indiretos (i.e. testes serológicos como RSAT, ELISA, AGID), apresentam limitações no que respeita à sensibilidade e especificidade. A epidemiologia da doença é pouco conhecida na Europa, devido à ausência de programas de vigilância harmonizados e de sistemas de notificação obrigatória. A circulação internacional de cães e movimentos pós-pandemia COVID-19 são indicados como fatores de risco para disseminação da infeção a partir de regiões endémicas. No que respeita ao tratamento, a eliminação completa da bactéria em cães infetados é difícil, mesmo com uma estratégia combinada de antibioterapia e esterilização, sendo comum a ocorrência de recaídas. As estratégias de controlo são consideradas insuficientes e pouco uniformizadas ao nível internacional. A inexistência de linhas orientadoras regulamentadas na Europa que exija a realização de testes de forma sistemática e que defina protocolos de gestão de animais infetados, tanto ao nível individual como em populações de risco (i.e. canis ou abrigos) é reconhecida como preocupante a alguns países da Europa encetaram a implementação de algumas medidas. É muito relevante neste contexto a implementação de uma abordagem focada em “Uma Só Saúde”, integrando a saúde animal, humana e ambiental, sensibilizando os profissionais, criando redes de vigilância, harmonizando os critérios de diagnóstico e estabelecendo medidas preventivas e de biossegurança eficazes a nível europeu.Brucella canis, a Gram-negative bacterium with zoonotic impact, was first described in 1966 following outbreaks of abortion and infertility in dogs. Responsible for canine brucellosis, this bacterium causes damage to reproductive, musculoskeletal and nervous tissues, although the manifestation is predominantly reproductive. In humans, although rare, the disease can be chronic and with non-specific symptoms, particularly affecting risk groups such as animal health professionals, children, the elderly and immuno-compromised individuals. The pathogenic mechanism and strategies for evading the immune system of B. canis are complex and make it difficult for the host to eliminate it completely. The diagnosis of the infection also presents some challenges. Both direct methods (i.e. culture, MALDI-TOF, PCR) and indirect methods (i.e. serological tests such as RSAT, ELISA, AGID) have limitations in terms of sensitivity and specificity. The epidemiology of the disease is poorly understood in Europe due to the absence of harmonized surveillance programs and mandatory reporting systems. The international movement of dogs and post-COVID-19 pandemic movements are indicated as risk factors for the spread of infection from endemic regions. Regarding treatment, complete elimination of the bacterium in infected dogs is difficult, even with a combined strategy of antibiotic therapy and sterilization, and relapses are common. Control strategies are considered insufficient and poorly standardized at international level. The lack of regulated guidelines in Europe requiring systematic testing and defining protocols for the management of infected animals, both at the individual level and in at-risk populations (i.e. kennels or shelters), is recognized as a concern, and some European countries have begun to implement certain measures. In this context, it is very important to implement a ‘One Health’ approach, integrating animal, human and environmental health, raising awareness among professionals, creating surveillance networks, harmonizing diagnostic criteria and establishing effective preventive and biosecurity measures at European level.porBrucelose caninaCãoEpidemiologiaZoonoseSaúde públicaCanine brucellosisDogDiagnosisEpidemiologyZoonosisPublic healthA Emergência de Brucella Canis na Europa: uma Ameaça para a Saúde Públicamaster thesis204175151