Caseiro, Paulodo Norte, Filipe Tomé2026-05-182026-05-182026-04-162025-10-16http://hdl.handle.net/10400.26/63183Introdução: A ventilação não invasiva ao domicílio é cada vez mais relevante em doentes com insuficiência respiratória crónica, possibilitando a melhoria da função respiratória e a redução do trabalho ventilatório, evitando a entubação e hospitalizações prolongadas. A utilização precoce e adequada deste recurso melhora a qualidade de vida, reduzindo exacerbações e a sobrecarga do SNS, favorecendo o prognóstico funcional e clínico. Objetivo: Os objetivos deste estágio centraram-se na aquisição de destreza técnica na manipulação de ventiladores e na capacidade para a avaliação clínica de doentes com ventilação não invasiva domiciliária. Pretendeu-se aprofundar o conhecimento sobre a gestão de pressões nãs diferentes patologias, fugas e modos ventilatórios, permitindo uma atuação eficiente em contextos de fisiopatologia respiratória complexa, visando sempre a segurança do paciente e a excelência nos cuidados prestados em ambiente de cuidados de saúde domiciliários. Resultados: Foram recolhidos dados relativos a dois casos clínicos, considerando-se resultados positivos clinicamente. No primeiro caso, paciente com esclerose lateral amiotrofica, iniciou ventilação não invasiva domiciliar em dezembro de 2024, com boa adaptação. Apresentou parâmetros respiratórios estáveis na gasometria e oximetria. Foi implementado In-Exsuflador, com posterior ajuste e ativação de oscilação para otimização da tosse assistida. O pico de fluxo de tosse aumentou após introdução da técnica, no entanto apresentou declínio subsequente. Ocorreram dessaturações noturnas associadas a encerramento da glote, corrigidas com posicionamento lateral e uso do In-Exsuflador antes do jantar. Após transição para ventilação híbrida, o paciente manteve uma adesão diária >98%. Observou-se progressão da dependência funcional, culminando no uso de cadeira de rodas e alimentação exclusiva por gastrostomia percutânea endoscópica. No segundo caso, paciente com cifoescoliose, iniciou ventilação não invasiva em janeiro de 2025, inicialmente com resistência à terapia, com melhorias após troca de interface. Parâmetros respiratórios estáveis, com correção da hipercapnia diurna e noturna apenas com ventilação, sem necessidade de suplementação de oxigénio. O pico de fluxo de tosse melhorou após uso regular do In-Exsuflador com oscilação e boa eliminação das secreções. Discussão: A análise dos casos evidencia a importância da implementação precoce e personalizada da ventilação não invasiva domiciliar em patologias neuromusculares e restritivas. No paciente com esclerose lateral amiotrófica, a terapia ventilatória associada a técnicas de assistência à tosse contribuiu para manutenção da ventilação alveolar adequada, apesar da progressão expectável da doença. O ajuste das pressões, a introdução de ventilação híbrida e estratégias simples de posicionamento mostraram impacto direto na melhoria do padrão respiratório noturno e no controlo das dessaturações. No segundo caso, a abordagem na adaptação da interface e na correção das fugas foi determinante para a adesão. A correção da hipercapnia com ventilação e a suspensão definitiva do oxigénio suplementar demonstram que em pacientes com insuficiência ventilatória crónica restritiva, a ventilação mecânica pode substituir de forma segura o uso prolongado de oxigenoterapia, desde que bem ajustada. Em ambos os casos, a utilização regular do In-Exsuflador com parâmetros adequados resultou num aumento significativo do pico de fluxo de tosse, fator essencial para prevenção de complicações respiratórias associadas à retenção de secreções. Conclusão: Os casos apresentados demonstram que a ventilação não invasiva domiciliar, quando associada a técnicas como o In-Exsuflador e a uma abordagem multidisciplinar, pode proporcionar estabilização gasométrica, melhorar sintomas e reduzir o risco de exacerbações em pacientes com doenças neuromusculares e restritivas graves. A personalização dos parâmetros ventilatórios, o ajuste da interface e a educação do paciente e familiares são fatores determinantes para o sucesso da terapia. Estes casos reforçam que a ventilação não invasiva domiciliar não deve ser vista apenas como medida paliativa, mas como intervenção ativa capaz de modificar o curso clínico, prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos doentes.porventilação não invasivadomicilioinsuficiência respiratRelatório de estágio em ventilição não invasiva na empresa – vivisol portugalmaster thesis