Cruz, Eduardo BrazeteChaparro, Francisco Serra2026-01-122026-01-122025-11http://hdl.handle.net/10400.26/60859Introdução: A lombalgia é a condição musculoesquelética mais prevalente em Portugal e uma das principais causas de incapacidade a nível global. Apesar de a maioria dos episódios apresentar evolução favorável nas primeiras semanas, o acesso precoce à fisioterapia tem sido destacado como um possível fator positivo para os resultados clínicos como a dor, funcionalidade e qualidade de vida. Contudo, em Portugal, o impacto do tempo de espera até ao início da fisioterapia permanece desconhecido, particularmente quando comparados os contextos de prestação de cuidados convencionado e privado. Objetivo: Analisar a influência do tempo de espera até ao início da fisioterapia nos resultados clínicos em indivíduos com lombalgia, avaliando diferenças entre utentes tratados em clínicas convencionadas com o SNS e clínicas privadas. Metodologia: Foi realizado um estudo observacional de coorte prospetivo, multicentro numa amostra de 56 utentes com lombalgia. Os participantes foram avaliados no início do tratamento e após seis semanas, utilizando a Escala Numérica da Dor (END), o Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ) e o EQ-5D-3L. Foram ainda recolhidos dados relativos ao início dos sintomas, consulta médica e primeira sessão de fisioterapia para aferir os tempos de espera. A relação entre tempo de espera e resultados clínicos foi analisada através do coeficiente de correlação de Spearman. Resultados: O tempo médio entre o início dos sintomas e a primeira sessão de fisioterapia foi de 71 ± 56 dias, sendo significativamente superior no contexto convencionado. Globalmente, observaram-se melhorias em todos os resultados clínicos após seis semanas, com maior magnitude no setor privado. Identificaram-se correlações moderadas positivas e significativas entre maiores tempos de espera e piores níveis de intensidade da dor (c = 0,496; p = 0,005) e incapacidade (c = 0,505; p = 0,004), bem como correlações moderadas negativas com a qualidade de vida (c = –0,446; p = 0,012). Conclusões: Os atrasos no acesso à fisioterapia associaram-se a piores resultados clínicos, indicando que o tempo de espera é um fator modificável com impacto significativo na dor, incapacidade e qualidade de vida. Estes achados reforçam a necessidade de rever os modelos de referenciação no SNS, promovendo vias mais diretas e céleres para fisioterapia e adotando estratégias de intervenção precoce com potencial para melhorar resultados, otimizar recursos e promover maior equidade no acesso aos cuidados de saúde.Background: Low back pain is the most prevalent musculoskeletal condition in Portugal and one of the leading causes of disability worldwide. Although most episodes show favourable progress in the first few weeks, early access to physiotherapy has been highlighted as a potential positive factor in clinical outcomes such as pain, functionality and quality of life. However, in Portugal, the impact of waiting time until the start of physiotherapy remains unknown, particularly when comparing the contexts of conventional and private healthcare provision. Objective: To investigate the influence of waiting time until the start of physiotherapy on clinical outcomes in individuals with low back pain, assessing differences between users treated in clinics affiliated with the National Health Service and private clinics. Methods: A prospective, multicentre observational cohort study was conducted involving 56 patients with low back pain. Participants were assessed at the start of treatment and after six weeks using the Numerical Pain Scale (NPS), the Roland-Morris Disability Questionnaire (RMDQ) and the EQ-5D-3L. Waiting times for symptom onset, medical consultation, and first physiotherapy session were also collected. The relationship between waiting time and clinical outcomes was analysed using Spearman's correlation coefficient. Results: The average time between the onset of symptoms and the first physiotherapy session was 71 ± 56 days, which was significantly longer in the conventional setting. Overall, improvements were observed in all clinical outcomes after six weeks, with greater magnitude in the private sector. Moderate positive and significant correlations were identified between longer waiting times and worse levels of pain intensity (c = 0,496; p = 0,005) and disability (c = 0,505; p = 0,004), as well as moderate negative correlations with quality of life (c = –0,446; p = 0,012). Conclusion: Delays in access to physiotherapy were associated with worse clinical outcomes, indicating that waiting time is a modifiable factor with a significant impact on pain, disability, and quality of life. These findings reinforce the need to review referral models in the NHS, promoting more direct and rapid pathways to physiotherapy and adopting early intervention strategies with the potential to improve outcomes, optimise resources and promote greater equity in access to healthcare.porLombalgiaFisoterapiaTempo de esperaAcessoResultados clínicosLow back painPhysiotherapyWaiting timeAccessClinical outcomesRelação do tempo de espera para início da fisioterapia e os resultados clínicos obtidos em utentes com lombalgiamaster thesis