Sousa, LaraCunha, Sofia MonteiroSantos, ÂngelaCalçada, DiogoQuintas, Maria JoséTaveira, FranciscoFranco, João MiguelLandeiro e Melo, Paula IsabelINMLCF2026-01-302026-01-302025-10-16Melo, Paula; Sousa, Lara; Cunha, Sofia Monteiro; et al. Ressurgimento da estricnina como forma de intoxicação? Análise de três casos fatais. In: 23º Congresso Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses. INMLCF, 2025http://hdl.handle.net/10400.26/61324Introdução: A estricnina é um alcaloide vegetal proveniente das sementes da Strychnos nux vomica, tendo sido bastante utilizado como rodenticida no século XX. No entanto, devido à sua elevada toxicidade, o seu uso foi proibido em muitos países, tendo-se tornado raros os casos de intoxicações por esta substância. Em Portugal já não é comercializada estricnina como raticida desde 1974, mas pode ainda ser encontrada como adulterante de diversas drogas de abuso. A morte ocorre por asfixia, por paralisia dos músculos respiratórios. Objetivos: Os autores apresentam uma análise de 3 casos de intoxicações fatais por estricnina ocorridos no último ano, de indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 59 e 70 anos, encontrados em PCR. Apenas num dos casos foi encontrada carta de despedida junto à vítima. Material e Métodos: A pesquisa/confirmação/quantificação dos medicamentos foi efetuada num equipamento LC-MS/MS da Sciex, em modo MRM, após extração simples das amostras de sangue por precipitação proteica com acetonitrilo. Resultados: A análise do sangue periférico dos 3 casos revelou a presença de estricnina (2510 ng/mL; 3399 ng/mL e 6285 ng/mL). Para além da estricnina apenas foram detetados medicamentos que faziam parte da terapêutica habitual. Discussão: As intoxicações por estricnina são raras, mas potencialmente fatais. A intoxicação por este alcaloide poderá ser acidental ou intencional (suicídio ou homicídio). É importante ressalvar que em nenhum dos casos existia suspeita de intoxicação por estricnina e que em nenhum dos casos foi feita referência à existência de copos ou soluções de preparados junto das vítimas. As concentrações postmortem encontradas foram consistentes com os dados publicados noutros casos de intoxicação fatal por esta substância. Os 3 casos foram concluídos como casos de morte violenta por intoxicação por estricnina. Apenas no caso em que foi encontrada a carta de despedida foi concluído que nada se opunha à etiologia médico-legal suicida. Nos outros dois casos não existiram elementos para se fazer o diagnóstico diferencial entre suicídio/homicídio/acidente. Os casos descritos demonstram que, apesar da sua restrita disponibilidade, ainda é possível encontrar casos de intoxicação por este composto, tendo-se comprovado a importância da sua pesquisa nos métodos de rastreio da rotina laboratorial.porEstricninaIntoxicações fataisRessurgimento da estricnina como forma de intoxicação? Análise de três casos fatais.conference object