Silva, InêsMonteiro, LuisCardoso, CarlosPeres, Érica2026-01-052026-01-052025-10-032025-04-27http://hdl.handle.net/10400.26/60637Introdução: Em Portugal, a maioria dos doentes, especialmente a população mais idosa, apresenta mais do que uma doença crónica, algo conhecido como multimorbilidade. Para diminuir o impacto desta na qualidade de vida e na mortalidade, muitas vezes recorre-se à polifarmacoterapia, podem surgir prescrições inadequadas que incluem a sobreprescrição, subprescrição ou prescrição inadequada, respetivamente na dosagem, duração ou por estarem em desacordo com a necessidade do doente. Desta forma, é necessário considerar e avaliar em que medida são precisas estratégias para garantir que as pessoas estão medicadas de forma adequada, com o objetivo de reduzir os custos sociais do doente e aumentar os ganhos em saúde através da redução do risco de interações medicamentosas. A desprescrição é um processo planeado e supervisionado de interrupção do uso ou de redução da dose de um medicamento, com a intenção de melhorar a qualidade de vida do indivíduo e reduzir os riscos associados a efeitos adversos. A articulação e ação de todos os profissionais de saúde no sentido de identificar e capacitar os pacientes no acompanhamento da desprescrição é de extrema relevância. O papel dos farmacêuticos comunitários é essencial no acompanhamento regular e na ajuda à gestão da desprescrição, uma vez que são estes o elo de ligação entre diferentes informações. Objetivos: O objetivo deste estudo foi perceber o conhecimento, frequência, crenças e dificuldades dos farmacêuticos comunitários sobre a temática da desprescrição. Métodos: Com este intuito, foi elaborado um questionário para um estudo transversal de âmbito nacional, com distribuição online, sujeito depois a estatística descritiva. Resultados: Foram obtidas 188 respostas válidas de profissionais de saúde: 77,1% do sexo feminino e 22,9% do sexo masculino. A maioria dos inquiridos, concorda que a desprescrição traz grandes benefícios e as grandes barreiras passam pela resistência dos profissionais de saúde, por medo de efeitos adversos ou falta de diretrizes claras, reticência dos doentes, falta de tempo dos profissionais e a inexistência de guidelines ou modelos computacionais que auxiliem o processo de desprescrição. Discussão: Uma das principais limitações deste estudo reside na ausência de validação formal do questionário, na aplicação anónima sem controlo da unicidade das respostas e na pequena amostragem e por conveniência, potencialmente enviesada pela divulgação digital. Conclusão: Este estudo destaca a importância da colaboração interdisciplinar e a necessidade de ferramentas, protocolos e incentivos adequados para uma desprescrição segura, eficaz e centrada no doente.Introduction: In Portugal, the majority of patients, especially the elderly population, suffer from more than one chronic disease, a condition known as multimorbidity. To reduce its impact on quality of life and mortality, polypharmacotherapy is often used — that is, the simultaneous intake of five or more medications. In most cases, the risks outweigh the benefits, and safer alternatives should be considered whenever possible. Inappropriate prescriptions may occur, including overprescription, underprescription, or incorrect prescription — in terms of dosage, duration, or misalignment with the patient's needs. Therefore, it is essential to consider and evaluate strategies to ensure that people are adequately medicated, aiming to reduce social and healthcare costs and increase health outcomes by lowering the risk of adverse drug interactions. Deprescribing is a planned and supervised process of discontinuing or reducing the dose of a medication, with the intent to improve the individual's quality of life and minimise risks related to adverse effects. The coordination and involvement of all healthcare professionals in identifying and empowering patients to follow deprescription plans is critical. The role of community pharmacists is crucial in providing regular monitoring and support in managing deprescription, as they serve as a key link between different sources of information. Objectives: This study aimed to understand the knowledge, frequency, beliefs, and challenges faced by community pharmacists regarding deprescribing. Methods: A questionnaire was developed for a national cross-sectional study, distributed online, and analysed through descriptive statistics. Results: A total of 188 valid responses were obtained from healthcare professionals: 77.1% female and 22.9% male. The majority of respondents agreed that deprescribing brings significant benefits, with the main barriers being healthcare professionals' resistance due to fear of adverse effects or lack of clear guidelines, patient reluctance, lack of time, and the absence of protocols or computational tools to support the deprescribing process. Discussion: One of the main limitations of this study is the lack of formal questionnaire validation, anonymous participation without control over duplicate responses, and the use of convenience sampling, which may have introduced bias due to digital dissemination. Conclusion: This study highlights the importance of interdisciplinary collaboration, and the need for appropriate tools, protocols, and incentives to ensure safe, effective, and patient-centered deprescribing.porDesprescriçãoPolifarmacoterapiaMultimorbilidadeMedicina PersonalizadaProfissionais de saúdeDeprescribingPolypharmacotherapyMultimorbidityPersonalized MedicineHealth ProfessionalsDesprescrição: perceções em farmácia comunitáriamaster thesis204099390