MESTRADO EM INSTRUMENTAÇÃO BIOMÉDICA Manutenção de equipamentos médicos: equipa móvel versus equipa residente Autor Ana Carina Rodrigues Vicente Orientador Professora Doutora Fernanda de Madureira Coutinho Coimbra, março 2022 INSTITUTO POLITÉCNICO DE COIMBRA INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE COIMBRA D E F IN IT IV O DEPARTAMENTO DE FÍSICA E MATEMÁTICA Manutenção de equipamentos médicos: equipa móvel versus equipa residente Relatório de Estágio de Natureza Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Instrumentação Biomédica Autor Ana Carina Rodrigues Vicente Orientador Professora Doutora Fernanda de Madureira Coutinho Supervisores na empresa Althea Mestre Patrícia Carina Pinto de Sousa Coimbra, março 2022 INSTITUTO POLITÉCNICO DE COIMBRA INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DE COIMBRA Agradecimentos Em primeiro lugar, quero agradecer à Professora Doutora Fernanda Coutinho, minha orientadora, por me ter proporcionado este estágio e me ter dado a oportu- nidade de ter duas experiências completamente diferentes no mesmo estágio, bem como pela disponibilidade, motivação e ajuda prestada ao longo dos últimos meses. Ao Técnico Mykola Rusnak e Mestre Patrícia Sousa pela disponibilidade, ensina- mentos e auxílios prestados ao longo do desenvolvimento deste estágio. A todos os colegas do Hospital dos Covões e do Hospital CUF Coimbra, pelo acolhimento, apoio e partilha de conhecimentos. À minha família - em particular à minha mãe, ao meu pai e aos meus irmãos - pelo acompanhamento e apoio ao longo da minha vida académica. À Inês Amaral, Sofia Teixeira, Inês Fortes e Raquel Lobão por estarem sempre presentes, mesmo que à distância. A todos os meus amigos que sempre tiveram uma palavra de incentivo para dar. i Resumo O envelhecimento da população aliado ao aumento da esperança média de vida, o aparecimento de equipamentos médicos que cada vez mais tiram partido da tecnologia, e a adoção de plataformas de software de apoio à gestão da manutenção, entre outros motivos, justificam a necessidade de se formarem recursos humanos qualificados na área da manutenção dos equipamentos médicos. O estágio curricular descrito neste documento teve vários objetivos, dos quais se destacam, adquirir conhecimentos práticos mais aprofundados sobre os equipamentos de eletromedicina, conhecer e realizar processos de manutenção preventiva e corretiva aos equipamentos e adquirir experiência a nível profissional. O estágio foi efetuado na empresa Althea Portugal, inserido na área de manutenção de equipamentos de eletromedicina. O mesmo foi repartido em duas realidades diferentes. Numa primeira etapa a aluna foi inserida numa equipa móvel, que tinha a sua sede no Hospital dos Covões, que prestava serviços em muitos outros hospitais e clínicas da zona Centro, e numa segunda etapa, a aluna foi inserida na equipa residente do Hospital CUF Coimbra. Neste documento é apresentada a grande variedade de equipamentos de eletrome- dicina observados e estudados no estágio, descrevendo os respetivos procedimentos de manutenção preventiva e manutenção corretiva, a informação normativa relevante a ter em conta pelas empresas prestadoras de serviços de manutenção, pelos fabricantes, pelos gestores dos equipamentos e pelos próprios profissionais de manutenção de equipamentos de eletromedicina. Foi também explorada uma plataforma de apoio à gestão da manutenção. Palavras Chave: Manutenção, Equipamentos de Eletromedicina, Equipa móvel, Equipa residente, Normas IEC iii Abstract The population aging, correlated with life expectancy increasing, the emergence of highly advanced medical equipment, and the implementation of support maintenance management software are among the factors that highlight the need to educate human resources qualified in medical equipment management. The curricular internship described in this document focused on the acquisition of in-depth practical knowledge and skills about electromedical equipment, the know- how and implementation of preventive and corrective maintenance processes, and developing professional experience. The internship was carried out at the company Althea Portugal, specifically involving the maintenance of electromedical equipment in a hospital environment. It was split into two stages: firstly, the student joined a mobile team, which had its headquarters in Hospital dos Covões, that provided services in many other hospitals and clinics in the Center area; secondly, the student joined the resident team of Hospital Cuf Coimbra. Throughout this report, the extensive collection of electromedical equipment studied in the internship will be presented in order to describe the intervention pro- cesses of preventive and corrective maintenance, as well as the normative information that should be taken into account by the companies providing maintenance services, the manufacturers, the equipment managers and the maintenance professionals of electromedicine. A maintenance management software platform was also explored. Keywords: Maintenance, Electro-medical Equipment, Mobile team, Resident team, IEC standards v Conteúdo Agradecimentos i Resumo ii Abstract iv Lista de Figuras xi Lista de Tabelas xiii Lista de Siglas e Acrónimos xiii 1 Introdução 1 1.1 Enquadramento e motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1.2 Objetivos e cronograma . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 1.3 Entidade de acolhimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1.3.1 Althea Portugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 1.3.2 Locais do estágio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 1.4 Estrutura do relatório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 2 Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos 7 2.1 Resenha histórica sobre a evolução da manutenção . . . . . . . . . . . 7 2.2 Conceitos de manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 2.3 Tipos de manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.3.1 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.3.2 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.4 Normas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.4.1 Normas para a prestação de serviço . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.4.2 Normas para os requisitos de segurança elétrica . . . . . . . . 16 3 Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos 21 3.1 Procedimentos gerais de intervenção a um equipamento . . . . . . . . 21 3.2 Monitor de sinais vitais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 vii Conteúdo 3.2.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 3.2.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 3.2.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.2.4 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 3.3 Desfibrilhador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 3.3.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 3.3.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 3.3.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 3.4 Cama hospitalar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 3.4.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 3.4.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 3.4.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 3.4.4 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 3.5 Unidade dentária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 3.5.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 3.5.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 3.5.3 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 3.6 Eletrocardiógrafo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 3.6.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.6.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 3.6.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 3.7 Seringa infusora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 3.7.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 3.7.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 3.7.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 3.7.4 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 3.8 Bomba infusora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 3.8.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 3.8.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 3.8.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 3.8.4 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 3.9 Eletrobisturi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 3.9.1 Descrição funcional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 3.9.2 Informação normativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 3.9.3 Manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 3.9.4 Manutenção corretiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 4 Tarefas de apoio à manutenção 59 4.1 Tipos de contratos de manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 viii Mestrado em Instrumentação Biomédica Conteúdo 4.2 Pedidos de assistência técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 4.3 Pedidos de material . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 4.4 Auditoria de inventários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 4.5 Processo de abate . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 4.6 Plataforma de gestão da manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 4.7 Trabalho complementar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 4.7.1 Manutenção preventiva DAE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 4.7.2 Manutenção preventiva a equipamentos de audiologia . . . . . 69 5 Conclusões 71 5.1 Apreciação pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Bibliografia 73 Ana Carina Rodrigues Vicente ix Lista de Figuras 1.1 Cronograma do estágio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1.2 Logótipo Althea [1] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 2.1 Visão geral sobre os tipos de manutenção . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.2 Etapas gerais da realização de uma manutenção corretiva . . . . . . . 11 2.3 Normalização em Portugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 3.1 Ficha de manutenção preventiva - equipamentos gerais . . . . . . . . 22 3.2 Etiqueta manutenção preventiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 3.3 Esfigmomanômetro digital [2] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 3.4 Pressão arterial invasiva [3] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 3.5 Derivações periféricas e triângulo de Einthoven [4] . . . . . . . . . . . 26 3.6 Posicionamento das derivações precordiais [5] . . . . . . . . . . . . . . 27 3.7 Sensor de oximetria [6] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 3.8 Sensor de pulso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 3.9 Monitor de sinais vitais: IntelliVue MP30 . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.10 Tarefas qualitativas gerais: Monitor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.11 Multímetro digital: Fluke F15B+ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 3.12 Equipamento de teste: Fluke ProSim4 . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 3.13 Equipamento de teste: Fluke ProSim Light . . . . . . . . . . . . . . . 31 3.14 Equipamento de teste: Fluke ESA609 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 3.15 Procedimentos corretivos: Monitor de sinais vitais . . . . . . . . . . . 32 3.16 Manutenção corretiva de um monitor de sinais vitais . . . . . . . . . 33 3.17 Fusível 500 mA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 3.18 Desfibrilhador externo semiautomático: BeneHeart D3-Mindray . . . 34 3.19 Desfibrilhador automático externo: Mindray BeneHeart D1 . . . . . . 35 3.20 Tarefas qualitativas gerais: Desfibrilhador . . . . . . . . . . . . . . . 36 3.21 Equipamento de teste Fluke Impulse 7000DP . . . . . . . . . . . . . 37 3.22 Cama hospitalar [7] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 3.23 Tarefas qualitativas gerais: Cama hospitalar . . . . . . . . . . . . . . 39 3.24 Procedimentos corretivos: Cama hospitalar . . . . . . . . . . . . . . . 40 xi Lista de Figuras 3.25 Comando de cama: Sriker . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 3.26 Unidade dentária [8] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 3.27 Procedimentos corretivos: Unidade dentária . . . . . . . . . . . . . . 42 3.28 Válvulas de água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 3.29 Elétrodos ECG . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.30 ECG de repouso [9] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.31 ECG de esforço [9] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 3.32 ECG holter [9] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 3.33 Eletrocardiógrafo: Schiller [10] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 3.34 Tarefas gerais qualitativas: Eletrocardiógrafo . . . . . . . . . . . . . . 45 3.35 Equipamento de teste: ProSim8 Vital Sings Simulator . . . . . . . . 46 3.36 Manutenção preventiva seringa infusora . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 3.37 Tarefas gerais qualitativas: Seringas infusoras . . . . . . . . . . . . . 47 3.38 Equipamento de teste: Fluke IDA-1S Infusion Device Analyzer . . . . 48 3.39 Ecrã do fluxo do canal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 3.40 Parâmetros de medição do fluxo do canal . . . . . . . . . . . . . . . . 49 3.41 Parâmetros de medição da oclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 3.42 Procedimentos corretivos: Seringa infusora . . . . . . . . . . . . . . . 50 3.43 Manutenção corretiva: Seringa infusora . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 3.44 Bomba infusora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51 3.45 Sensor de gotas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 3.46 Procedimentos corretivos: Bomba infusora . . . . . . . . . . . . . . . 54 3.47 Manutenção corretiva: Bomba infusora . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 3.48 Eletrobisturi: Covidien . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55 3.49 Tarefas gerais qualitativas: Eletrobisturi . . . . . . . . . . . . . . . . 56 3.50 Equipamento de teste: Fluke QA-ES III Electrosurgery Analyzer . . . 57 3.51 Eletrobisturi Olympus ESG-400 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 3.52 Procedimentos corretivos: Eletrobisturi . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 3.53 Pedal eletrobisturi Olympus ESG-400 . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 4.1 Pedido de assistência técnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 4.2 Etiqueta de inventário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 4.3 Exemplo de uma folha de abate de equipamentos . . . . . . . . . . . 62 4.4 NextBitt : Menu principal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 4.5 NextBitt : Menu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 4.6 NextBitt : Ativos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 4.7 Página inicial da aplicação para o telemóvel: NextBitt . . . . . . . . . 66 4.8 Menu da aplicação para o telemóvel: NexBitt . . . . . . . . . . . . . . 67 xii Mestrado em Instrumentação Biomédica Lista de Tabelas 2.1 Princípios da normalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 2.2 Exemplo de algumas normas colaterais . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 2.3 Exemplo de algumas normas específicas . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 xiii Lista de Siglas e Acrónimos CT Comissão técnica de normalização CEN Comité europeu de normalização CENELEC Comité europeu de normalização eletrónica CHC Centro hospitalar de Coimbra CUF Companhia União Fabril DAE Desfibrilhador automático externo DEM Desfibrilhador externo manual ECG Eletrocardiograma IEC International electrotechnical commission IPQ Instituto português da qualidade ISO International organization for standardization ISEC Instituto superior de engenharia de Coimbra MC Manutenção corretiva MIB Mestrado em instrumentação biomédica MP Manutenção preventiva NIBP Non invasive blood pressure ONN Organismo nacional de normalização ONS Organismos de normalização setorial OT Ordem de trabalho PCR Paragem cardiorrespiratória RPNP Regras e procedimentos para a normalização portuguesa SGQ Sistemas da gestão da qualidade SIE Serviço de instalação e equipamentos TE Técnico de eletromedicina TRS Tensão reduzida de segurança TRP Tensão reduzida de proteção TSE Teste de segurança elétrica xv Capítulo 1 Introdução Neste capítulo é feito um enquadramento do estágio, onde é descrita a motivação do mesmo e realizada uma breve apresentação do mesmo (Secção 1.1). São também apresentados os objetivos que se pretendem alcançar bem como o planeamento das atividades realizadas (Secção 1.2). É abordada uma visão geral sobre a empresa de acolhimento do estágio, seguida da localização e caracterização (Secção 1.3). No final do capítulo é apresentada a estrutura do relatório com uma breve explicação relativa aos capítulos que o constituem (Secção 1.4). 1.1 Enquadramento e motivação Para o bom funcionamento de uma unidade hospitalar é imprescindível que todos os equipamentos nela presentes estejam em perfeitas condições de utilização, para que não seja comprometido o normal funcionamento do serviço, bem como, a segurança dos profissionais de saúde e dos pacientes. Assim sendo, o profissional responsável pela gestão dos equipamentos, que pode ser, por exemplo, um Mestre em Instrumentação Biomédica, tem várias responsabilidades tais como: • assegurar o cumprimento dos requisitos de qualidade dos equipamentos e respetivos acessórios; • fazer a gestão dos equipamentos, desde a aquisição até ao abate dos mesmos; • fazer contratos de manutenção; • realizar os procedimentos de manutenção e suporte técnico; • dar formação aos profissionais de saúde sobre a utilização dos equipamentos. Por outro lado, o envelhecimento da população conjugado com o aumento da esperança média de vida, exige que o setor da saúde tenha de ter capacidade de 1 1.2. Objetivos e cronograma resposta crescente, nomeadamente ao nível de recursos humanos qualificados capazes de zelar pelo bom funcionamento dos equipamentos médicos. Assim, continua e continuará a ser necessário apostar na formação de recursos humanos especializados na área da manutenção de equipamentos médicos. Este relatório vem descrever o estágio curricular realizado no âmbito da unidade curricular de Projeto/Estágio do segundo ano do Mestrado em Instrumentação Biomédica (MIB), do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC). O estágio, decorrido no ano letivo de 2020/2021, foi realizado na área da manu- tenção de equipamentos de eletromedicina em ambiente hospitalar e clínico, tendo o estágio curricular sido acolhido por uma empresa que presta serviços desta natureza, em regime outsourcing, a unidades de saúde. Este foi dividido em duas etapas, permitindo à aluna o contacto com duas realidades diferentes. Numa primeira etapa, a aluna foi inserida numa equipa móvel da empresa, a qual tinha a sua sede no Centro Hospitalar dos Covões (CHC), e na segunda etapa, a aluna foi inserida na equipa residente da empresa no Hospital CUF Coimbra. 1.2 Objetivos e cronograma Os objetivos com este estágio foram: • entender o papel de um técnico de eletromedicina em ambiente hospitalar, Capítulo 2; • tomar conhecimento relativo às normas de segurança elétrica aplicadas aos equipamentos, Capítulo 2; • adquirir conhecimentos práticos mais aprofundados sobre os equipamentos de eletromedicina, Capítulo 3; • conhecer e realizar processos de manutenção preventiva e corretiva aos equipa- mentos, Capítulo 3; • aprender a trabalhar com uma plataforma de apoio à gestão da manutenção, Capítulo 4; • inteirar-se dos processos administrativos que a gestão da manutenção envolve, Capítulo 4; • adquirir a experiência de acompanhar uma equipa móvel e a de ser integrada numa equipa residente num hospital. O cumprimento dos objetivos atrás enunciados foi feito através de várias etapas (Figura 1.1), designadamente: 2 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 1. Introdução • integração na equipa móvel, em diversas unidades de saúde, onde existiu uma consciencialização da responsabilidade de um Técnico de manutenção de equipamentos de eletromedicina; • contacto com diversos equipamentos, compreendendo o seu modo de funci- onamento, obtendo competências suficientes para intervir nas manutenções preventivas e corretivas; • pausa do estágio presencial devido à pandemia causada pelo Covid-19. Estudo da informação normativa aplicada aos equipamentos médicos; • realização de ações de manutenção de, essencialmente, caráter corretivo; • integração na equipa residente do Hospital CUF Coimbra e a aquisição do conhecimento dos procedimentos de manutenção bem como da plataforma de apoio à gestão da manutenção utilizado; • realização de manutenções preventivas e corretivas a equipamentos de eletro- medicina, no hospital. Figura 1.1: Cronograma do estágio 1.3 Entidade de acolhimento A empresa de acolhimento para a realização do estágio curricular foi a Althea Portugal. Ana Carina Rodrigues Vicente 3 1.3. Entidade de acolhimento 1.3.1 Althea Portugal Em 2014 a fundação Pantheon Healthcare Group iniciou uma fusão com mais 8 empresas de serviços de assistência médica. Em 2017, com o objetivo de conferir uma maior dimensão e importância estratégica no negócio da manutenção, a fundação é rebatizada e é introduzida uma marca única para todas as empresas, dando origem à Althea Group, com o seguinte logótipo, Figura 1.2 [11]. Figura 1.2: Logótipo Althea [1] Esta empresa atua na área da atividade da manutenção de equipamentos médicos, nomeadamente, no desenvolvimento de inventários, na realização de manutenções preventivas e corretivas, entre outras [1]. Os serviços de gestão e manutenção que a Althea Group pratica estão certificados com a Norma ISO 13485 e Norma ISO 9001, descritas na Secção 3 [12]. 1.3.2 Locais do estágio O estágio foi repartido por tempos iguais em duas realidades diferentes. Numa primeira fase, numa equipa móvel da região centro e de seguida numa unidade residente, ou seja, duas realidades com dinâmicas diferentes, o que ofereceu uma maior aquisição de conhecimentos, e uma experiência de trabalho com duas equipas diferentes. • Equipa móvel Durante o estágio na equipa móvel, este tinha como sede principal o gabinete técnico de trabalho da Althea que se situa nas instalações do Hospital dos Covões, junto ao Serviço de Instalação de Equipamentos (SIE). Este gabinete consiste numa oficina equipada com todos os equipamentos necessários quer para manutenções preventivas como para manutenções corretivas. Nesta fase foi possível acompanhar a equipa móvel por outras unidades, tais como, no Hospital Pediátrico de Coimbra, na Maternidade Bissaya Barreto, no Hospital da Mealhada, no Hospital de Cantanhede, e em vários hospitais e clínicas da Luz da zona centro. 4 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 1. Introdução • Equipa residente Numa segunda etapa, o estágio prosseguiu com a integração da aluna na equipa residente da Althea Portugal no Hospital CUF Coimbra. Os hospitais e clínicas CUF são certificados pela norma NP EN ISO 9001, na total abrangência dos seus serviços de prestação de cuidados de saúde [13]. 1.4 Estrutura do relatório Este relatório encontra-se dividido em 5 capítulos, sendo eles: • Capítulo 1 - Introdução: É realizada uma apresentação do estágio e a mo- tivação que levou à realização do mesmo, bem como os objetivos estipulados. Por fim, é apresentado o planeamento das atividades ao longo do estágio e a estrutura do presente documento. É apresentada a empresa de acolhimento do estágio, a sua localização e caracterização do local do estágio. • Capítulo 2 - Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos: É abordada a evolução da manutenção e feito um contexto teórico àcerca do conceito da manutenção. São abordados os tipos de manutenção existentes e é feita uma abordagem às entidades normativas, sendo descritas algumas das normas aplicadas mais relevantes. • Capítulo 3 - Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos: Neste capítulo são descritos alguns dos equipamentos a que foi realizada a manutenção preventiva e também a manutenção corretiva, descrevendo o seu procedimento e abordando a sua informação normativa. • Capítulo 4 - Tarefas de apoio à manutenção: Neste capítulo são apresentados alguns conhecimentos complementares adquiridos no estágio, tais como, os diferentes tipos de contratos, a realização de pedidos de material, a realização de abate de equipamentos, entre outros. É realizada também uma abordagem à plataforma de apoio à gestão de manutenção utilizado, e o capítulo é finalizado com uma apresentação dos trabalhos complementares realizados durante o estágio. • Capítulo 5 - Conclusões: É realizado um balanço final sobre todo o trabalho desenvolvido no decorrer do estágio, e são apresentadas reflexões finais sobre o estágio e a respetiva área. Ana Carina Rodrigues Vicente 5 Capítulo 2 Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos Neste capítulo é realizada uma abordagem sobre a manutenção, desde a sua origem até aos dias atuais (Secção 2.1). É apresentado o conceito da manutenção (Secção 2.2), sendo abordados os principais tipos de manutenção (Secção 2.3). É também referida a importância das normas e normalização na área da saúde, sendo descritas as principais normas para as empresas prestadoras de serviços de manutenção e para os requisitos de segurança elétrica dos equipamentos (Secção 2.4). 2.1 Resenha histórica sobre a evolução da manuten- ção A atenção dada à área da manutenção tem vindo a aumentar, fruto sobretudo do desenvolvimento e melhoria das instalações e dos equipamentos, por um lado, e, por outro, pela necessidade de fornecer melhor qualidade de serviço na área da prestação dos cuidados de saúde. Este progresso tem sido acompanhado por 3 grandes fases da manutenção [14]: • 1ª Fase - Avaria-Repara: Em 1914, não existia grande preocupação com os equipamentos, levando-os ao limite até à sua avaria. Consequentemente, as manutenções eram essencialmente corretivas. Esta fase durou até à década de 30, altura em que a necessidade do aumento da produção em massa, das fábricas e indústrias estimulou a criação de um departamento de manutenção com a preocupação não só de corrigir as avarias mas também de as evitar. • 2ª Fase - Prever a avaria: A segunda fase da evolução da manutenção está compreendida entre o início da Segunda Guerra Mundial e os anos 70, sendo um período marcado pela expansão industrial. Assim, com o aumento 7 2.2. Conceitos de manutenção da produtividade das fábricas e a necessidade do bom funcionamento dos equipamentos, a manutenção começou a ser considerada uma "questão técnica". Muitas empresas começaram a reconhecer o valor da manutenção preventiva, destacando a manutenção preventiva sistemática, para a prevenção de algumas falhas. Sendo criados sistemas de planeamento e controlo que consistiam em intervenções realizadas, com base na idade do equipamento e nas condições da sua utilização, em intervalos definidos, Estas intervenções tinham o intuito de maximizar tanto os recursos financeiros como a qualidade dos produtos [15]. • 3ª Fase - Evitar a avaria: De 1980 aos dias de hoje, a manutenção tornou- se num ponto fulcral para uma boa gestão de uma empresa prestadora de serviços. Com o avanço tecnológico, a complexidade que isso envolve, foi necessário implementar outro sistema de manutenção, surgindo a manutenção condicionada. Começaram a ser implementadas técnicas de monitorização de forma a obter uma maior disponibilidade e fiabilidade dos equipamentos e uma adequada relação custo/benefício [15]. Consequentemente, e bem, derivado a este aumento de monitorização, as ações de caráter corretivo diminuíram. 2.2 Conceitos de manutenção O desgaste é um processo natural, e desta forma é incontornável a utilização de um equipamento sem que exista desgaste. Segundo a versão portuguesa da norma NP EN 13306-2010 - Terminologia da manutenção "a manutenção é a combinação de todas as ações técnicas, administrati- vas e de gestão durante o ciclo de vida de um bem, com o objetivo de mantê-lo ou restaurá-lo, podendo executar as funções a que se destina", tornando a manutenção dos equipamentos médicos uma ferramenta essencial durante o ciclo de vida dos mesmos [16]. Esta importância assenta em 3 razões principais [17]: • Razões económicas, isto porque um serviço de manutenção permite maxi- mizar o rendimento dos investimentos feitos em equipamentos e instalações, prolongando a sua vida útil; • Razões legais, visto que a legislação obriga a prevenir situações que possam constituir um fator de insegurança e poluição; • Razões de ordem social, devido à imagem da empresa estar em causa, a qual exerce pressão para o bom funcionamento dos equipamentos. A manutenção deve ser encarada como uma função estratégica na obtenção dos resultados da organização, pois visa o aumento da qualidade dos serviços prestados, 8 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 2. Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos bem como a segurança dos mesmos durante a sua vida útil, maximizando a relação custo-benefício [18]. Desta forma, a estratégia de uma boa manutenção tem como finalidade [19]: • Diminuir os custos de manutenção e reparação; • Aumentar os índices de disponibilidade; • Reduzir o número de avarias; • Melhorar a qualidade da produção; • Aumentar a segurança de serviço; • Aumentar o tempo de vida útil do equipamento. De forma a conseguir alcançar uma boa manutenção existe a necessidade de domi- nar várias áreas de trabalho, tais como, inventariação dos equipamentos, planeamento das manutenções a realizar, entre outros. 2.3 Tipos de manutenção A estratégia a adotar, para que exista sucesso no processo de manutenção, é o conhecimento dos diferentes tipos de manutenção, para desta forma escolher a que mais se adequa a cada situação e equipamento. A Figura 2.1 apresenta uma visão geral sobre os tipos de manutenção abordados na Secção 2.3.1 e na Secção 2.3.2. Figura 2.1: Visão geral sobre os tipos de manutenção Ana Carina Rodrigues Vicente 9 2.3. Tipos de manutenção 2.3.1 Manutenção preventiva Segundo a norma NP EN 13306:2010, a manutenção preventiva pode ser definida como “Manutenção efectuada a intervalos de tempo pré-determinados ou de acordo com critérios prescritos com a finalidade de reduzir a probabilidade de avaria ou degradação do funcionamento de um bem” A manutenção preventiva pode ser definida como a primeira etapa de um plano de manutenção bem programado, pois é considerada como a chave para o processo de gestão dos ativos, com fortes probabilidades na redução de avarias, bem como uma baixa degradação dos equipamentos [20]. Esta manutenção é planeada em intervalos predeterminados, seguindo planos previamente estabelecidos em que o objetivo é prevenir a ocorrência de avarias ou o mau funcionamento do equipamento. Os planos deste tipo de manutenção contêm um conjunto de ações, como, as funções a testar referentes aos equipamentos em questão, o tempo que deve ser obedecido entre uma manutenção e outra, bem como as peças que necessitam de ser substituídas [21]. A manutenção preventiva pode ainda dividir-se em dois tipos, na manutenção sistemática e na manutenção condicionada [22]: • Manutenção sistemática: Segundo a norma NP EN 13306:2007, a manu- tenção sistemática pode ser definida como “Manutenção preventiva efectuada a intervalos de tempo pré-estabelecidos ou segundo um número definido de unidades de utilização, mas sem controlo prévio do estado do bem.” Trata-se de uma manutenção programada sem investigação prévia da condição do equipamento, apresentando diversas vantagens associadas à redução de despesas com a manutenção corretiva [23]. • Manutenção condicionada: Segundo a norma NP EN 13306:2007, a manu- tenção condicionada pode ser definida como “Manutenção preventiva baseada na vigilância do funcionamento do bem e/ou dos parâmetros significativos desse funcionamento, integrando as acções daí decorrentes.” Este tipo de manutenção é baseado na vigilância do funcionamento do equipa- mento, onde é executado o seu autodiagnóstico, de forma a prever um possível problema que poderá originar uma avaria caso não seja reparado de forma conveniente e antecipada. Esta manutenção é realizada essencialmente em equipamentos que comprometam a segurança dos pacientes, bem como o custo de avaria seja demasiado elevado [24]. 10 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 2. Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos A manutenção preventiva é considerada imprescindível em equipamentos de alto risco numa unidade de saúde, ou seja, equipamentos que afetam a anatomia do corpo humano na sua utilização, sendo considerado que, quanto maior o risco associado a uma determinada avaria, maior a necessidade de manutenção preventiva para aumentar a vida útil do ativo [25]. 2.3.2 Manutenção corretiva Segundo a norma NP EN 13306:2007, a manutenção corretiva pode ser definida como “É a manutenção efectuada depois da detecção de uma avaria, e destinada a repor o bem num estado que possa realizar uma função requerida.” A manutenção corretiva é considerada como uma reparação que ocorre de modo não programado, consistindo numa manutenção efetuada após a verificação de uma avaria. Este tipo de manutenção, destina-se a repor o equipamento de forma a que possa realizar a função requerida [26]. As manutenções corretivas, trazem consigo a desvantagem de obrigar o equipa- mento a parar, reduzindo a vida útil do mesmo, bem como obrigam o serviço onde o mesmo está inserido a parar. Contudo, não é possível eliminar completamente este tipo de manutenção pois muitas vezes não se pode prever o momento em que ocorrerá um defeito que obrigará a uma manutenção corretiva de emergência [24]. Para a realização de uma manutenção corretiva, é possível enumerar os passos gerais a serem seguidos [15], Figura 2.2: Figura 2.2: Etapas gerais da realização de uma manutenção corretiva Segundo a norma NP EN 13306:2010, também a manutenção corretiva pode ser dividida em dois tipos [22]: • Manutenção Diferida: Manutenção em que a falha é detetada mas não é Ana Carina Rodrigues Vicente 11 2.4. Normas corrigida de imediato, sendo possível planear a manutenção de acordo com regras de manutenção determinadas; • Manutenção Imediata/Emergência: Manutenção que é efetuada imedi- atamente após a deteção de um estado de falha, para evitar consequências inaceitáveis. 2.4 Normas A Normalização é a atividade destinada a estabelecer, face a problemas reais ou potenciais, disposições para a utilização comum e repetida, tendo em vista a obtenção do grau ótimo de ordem, num determinado contexto, sendo gerida pelos princípios representados na Tabela 2.1 [27]: Tabela 2.1: Princípios da normalização Voluntariedade Implica a cooperação voluntária de todos os representantes. Consenso Obriga a uma busca permanente de acordos coletivos nasdecisões. Representatividade Determina a consideração e representação de todas as partes interessadas, tais como os fabricantes, consumidores e entidades oficiais. Paridade Obtenção de um equilíbrio das diferentes opiniões no pro-cesso de elaboração das normas. Simplificação O processo de normalização deve seguir regras simples e acessíveis, de forma a garantir a coerência, rapidez e quali- dade no desenvolvimento e implementação das normas. Transparência A todas as partes interessadas devem ser disponibilizadas, a qualquer momento, as informações relativas sobre o processo de desenvolvimento de normas técnicas. O Instituto Português da Qualidade (IPQ), é o Organismo Nacional de Nor- malização (ONN) em Portugal, tendo como principal objetivo, definir as Regras e Procedimentos para a Normalização Portuguesa (RPNP) [28]. Da estrutura nacional de normalização, tal como se observa na Figura 2.3, fazem parte o ONN, os diferentes Organismos de Normalização Setorial (ONS) e as diferentes Comissões Técnicas de Normalização (CT). 12 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 2. Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos Figura 2.3: Normalização em Portugal Fonte: Adaptado [29] As normas são elaboradas em diferentes níveis, pelos Organismos de Normaliza- ção Internacionais, Europeus e Nacionais que, por sua vez, são representadas pelas seguintes entidades [15]: Internacional • A International Electrotechnical Commission (IEC) - Primeira organização de padronização internacional. Esta prepara e publica normas internacionais para todos os equipamentos elétricos, eletrónicos e tecnologias relacionadas [30]. • A International Organization for Standardization (ISO) - Criada com o objetivo de melhorar a qualidade de produtos e serviços é uma organização internacional não governamental independente, associada a 165 organismos de normalização nacionais, sendo que os membros residentes são as organizações de padronização mais importantes em cada país existindo apenas um membro por país [31]. Os sistemas de gestão da qualidade (SGQ) têm o objetivo de verificar todos os processos da empresa e como esses processos podem melhorar a qualidade dos produtos e serviços para os clientes. Várias empresas/organizações utilizam os SGQ de forma a implementar novos processos e garantir a sua qualidade, existindo desta forma uma melhoria na imagem e um aumento na satisfação dos clientes [32]. Europeu • A Comité Europeu de Normalização (CEN) • A Comité europeu de normalização eletrónica (CENELEC) Nacional Ana Carina Rodrigues Vicente 13 2.4. Normas • O Instituto Português da Qualidade (IPQ) - Distribuidor oficial de documentos normativos em Portugal, promovendo e assegurando a sua venda, quer dos documentos de génese nacional, quer dos de génese europeia e internacional. Este assegura a representação de Portugal em inúmeras estruturas europeias para a sua missão, designadamente no CEN, e no CENELEC [27]. Uma vez aprovadas pelo IPQ, as normas portuguesas possuem o prefixo NP, seguidas de número de identificação e ano correspondente, podendo possuir a seguinte designação [33]: – NP EN – normas portuguesas, que adotam uma norma europeia; Os ONS são organismos públicos, privados ou mistos, reconhecidos para realizar atividades de normalização num dado domínio, tendo como principal função a coordenação dos trabalhos das CT’s associadas [34]. Como resultado do consenso, por parte de um organismo de normalização reco- nhecido, surgem as normas, que podem ser definidas como documentos técnicos que respeitam um processo e uma metodologia própria a fim de estabelecer regras ou caraterísticas de produtos ou serviços [35]. Os benefícios das normas e da normalização, resumem-se ao cumprimento, por parte de todos os fabricantes, da legislação europeia e nacional, de forma a garantir a segurança dos produtos, equipamentos e sistemas, diminuindo os seus erros e custos [35]. 2.4.1 Normas para a prestação de serviço De forma a que as empresas prestadoras de serviços garantam um serviço de gestão e qualidade devem ser certificadas pelas seguintes normas gerais relevantes: • Norma NP 4492 A norma portuguesa NP 4492:2010 - Requisitos para Prestação de Serviços de Manutenção é uma norma que pode ser utilizada por qualquer tipo de empresa prestadora de serviços de manutenção, assim como por prestadores de serviços independentes. A presente norma especifica os requisitos pelos quais os prestadores de serviços de manutenção devem demonstrar aptidão para, de forma consciente, propor- cionar uma serviço de qualidade aos seus clientes, com as exigências legais e regulamentares aplicáveis. Apresentando os seguintes objetivos: – Definir requisitos de forma a que os prestadores de serviços de manutenção ofereçam aos seus clientes soluções que se alinhem com as suas necessidades e objetivos; 14 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 2. Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos – Certificar os prestadores de serviços de manutenção; – Apoiar os prestadores de serviços de manutenção, fornecendo-lhes um meio que permita reconhecer os seus esforços, distinguindo-os dos seus concorrentes; – Fazer da qualidade dos serviços de manutenção um critério permanente e transparente para o comprador, incentivando a implementação do conceito de custo do ciclo de vida em substituição do custo de aquisição. • Norma ISO 14971 A Norma EN ISO 14971:2019 – Medical devices — Application of risk mana- gement to medical devices, especifica os processos para a gestão de riscos nos equipamentos de eletromedicina, incluindo o software. Esta norma pretende ajudar os fabricantes a identificar os perigos associados aos equipamentos e a estimar os valores dos riscos associados, durante a vida útil do equipamento [36]. • Norma NP EN ISO 9000 A norma NP EN ISO 9000:2015 - Sistemas de gestão de qualidade: fundamentos e vocabulário é a norma que regulamenta os fundamentos e o vocabulário do SGQ, ou seja, tem a finalidade de mostrar, às empresas prestadoras de serviço, técnicas para a otimização da gestão da qualidade [37]. Uma empresa que aplique as Normas ISO 9000 irá obter um certificado que lhe conferirá responsabilidade, credibilidade, e facilidade nas relações comerciais. A ISO 9001 é considerada uma das principais normas da família da norma ISO 9000, tendo como principal finalidade normalizar questões importantes para a implementação de sistemas de gestão de qualidade, indicando a forma como a empresa deverá ser gerida e orientada para a qualidade total [38]. Dada a sua implementação, a norma ISO 9001 tem por base 7 princípios da Gestão da Qualidade, sendo eles [38]: – Melhoria: A empresa prestadora de serviços deve-se manter sempre atenta a possíveis melhorias; – Foco no cliente: Orientação do foco da empresa prestadora de serviços no âmbito do aumento da satisfação do cliente para o sucesso do negócio; – Liderança: Capacidade de gerir mudanças, ações e resultados de forma eficiente, aumentando o reconhecimento da empresa prestadora de serviços; Ana Carina Rodrigues Vicente 15 2.4. Normas – Gestão de relacionamentos: Todos os relacionamentos, quer sejam colaboradores, fornecedores ou clientes, devem ser geridos eficientemente de modo a garantir a máxima satisfação; – Tomada de decisão baseada em evidências: Quanto mais informa- ções a empresa tiver em sua posse melhor o tratamento de risco e o sentido de oportunidade; – Comprometimento dos clientes: Fidelização de novos clientes e acesso a novos mercados; – Abordagem dos processos: Orientação dos colaboradores de forma a agirem de acordo com os princípios de qualidade total; Após a aplicação das normas ISO, as empresas/organizações ficam certificadas de que as medidas implementadas serão, de facto, eficientes de forma a cumprir os propósitos estabelecidos. 2.4.2 Normas para os requisitos de segurança elétrica A certificação para equipamentos de eletromedicina tem como objetivo avaliar a capacidade que um equipamento tem de atender a todos os requisitos impostos para garantir a segurança do utilizador na utilização do equipamento. Com base nestes requisitos, são especificados os procedimentos de teste para cada tipo de equipamento para que todos os riscos da sua utilização possam ser analisados e posteriormente corrigidos, caso necessário. Nestes testes normalmente são analisadas as características funcionais, mecânicas e elétricas do equipamento, e com os resultados obtidos é possível identificar a conformidade do equipamento, assegurando que os equipamentos não apresentem riscos à saúde humana [39]. O IEC tem desta forma um processo de desenvolvimento de padrões claro e estri- tamente controlado, garantindo a confiabilidade do funcionamento do equipamento como ferramenta necessária para a manutenção da sua vida útil [30]. • Norma IEC 60601 A Norma IEC 60601:2021 aborda todos os possíveis perigos relacionados com a utilização de eletricidade, produzindo orientações para controlar o desenvolvi- mento dos aparelhos de eletromedicina afim de evitar qualquer perigo para o público em geral [40]. Esta norma é constituída por 2 partes, pelas normas colaterais IEC 60601-1-XX, e pelas normas particulares IEC 60601-2-YY em que a primeira corresponde a sub-normas diretamente relacionadas com a segurança de equipamentos 16 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 2. Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos médicos, e a segunda é específica para os vários tipos de equipamentos médicos e fornece informações adicionais para os padrões de garantia. A Norma IEC 60601-1-XX, em que X representa o número da norma colateral entre 1-11, é aplicável para certos tipos de equipamentos, onde os requisitos de segurança gerais impostos devem ser complementados ou modificados pe- los requisitos especiais de uma Norma Particular [40]. Na tabela 2.2 estão representados exemplos de algumas normas colaterais. Tabela 2.2: Exemplo de algumas normas colaterais Norma Definição IEC 60601-1-1:2014 General testing procedures for medical electrical equipment IEC 60601-1-2:2014 + AMD1:2020 CSV Con- solidated version Medical electrical equipment - Part 1-2: General require- ments for basic safety and essential performance - Colla- teral Standard: Electromagnetic disturbances - Require- ments and tests IEC 60601-1-3:2008 + AMD1:2013 + AMD2:2021 CSV Consolidated version Medical electrical equipment - Part 1-3: General require- ments for basic safety and essential performance - Colla- teral Standard: Radiation protection in diagnostic X-ray equipment IEC 60601-1-8:2006 + AMD1:2012 + AMD2:2020 CSV Consolidated version Medical electrical equipment - Part 1-8: General require- ments for basic safety and essential performance - Collate- ral Standard: General requirements, tests and guidance for alarm systems in medical electrical equipment and medical electrical systems IEC 60601-1-11:2015 + AMD1:2020 CSV Con- solidated version Medical electrical equipment - Part 1-11: General require- ments for basic safety and essential performance - Collate- ral Standard: Requirements for medical electrical equip- ment and medical electrical systems used in the home healthcare environment IEC 60601-1-12:2014 + AMD1:2020 CSV Con- solidated version Medical electrical equipment - Part 1-12: General require- ments for basic safety and essential performance - Collate- ral Standard: Requirements for medical electrical equip- ment and medical electrical systems intended for use in the emergency medical services environment A Norma IEC 60601-2-YY, em que Y representa um número da norma entre 1-83, trata de padrões e requisitos gerais de segurança básica e desempenho essencial para grupos de equipamentos médicos elétricos específicos. Na tabela 2.3 estão representados exemplos de algumas normas colaterais. Ana Carina Rodrigues Vicente 17 2.4. Normas Tabela 2.3: Exemplo de algumas normas específicas Norma Definição IEC 60601-2-2:2017 RLV Redline version Medical electrical equipment - Part 2-2: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of high frequency surgical equipment and high frequency surgical accessories IEC 60601-2-4:2010 + AMD1:2018 CSV Con- solidated version Medical electrical equipment - Part 2-4: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of cardiac defibrillators IEC 60601-2-24:2012 Medical electrical equipment - Part 2-24: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of infusion pumps and controllers IEC 60601-2-25:2011 Medical electrical equipment - Part 2-25: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of electrocardiographs IEC 60601-2-34:2011 Medical electrical equipment - Part 2-34: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of invasive blood pressure monitoring equipment IEC 80601-2-49:2018 Medical electrical equipment - Part 2-49: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of multifunction patient monitors IEC 60601-2-52:2009 + AMD1:2015 CSV Con- solidated version Medical electrical equipment - Part 2-52: Particular requi- rements for the basic safety and essential performance of medical beds • Norma IEC 61140 A norma IEC 61140:2016 RLV Redline version : Protection against electric shock - Common aspects for installation and equipment, permite a classificação dos equipamentos relativamente à proteção contra choques elétricos em classe 0, classe I, classe II e classe III [41] [42]: – Classe 0: Neste tipo de equipamentos a proteção contra os choques elétricos é garantida apenas pelo isolamento principal, sendo que em caso de defeito deste a proteção é garantida pelas caraterísticas do local onde o equipamento se encontra instalado. – Classe I: A proteção contra choques elétricos para este tipo de equipa- mentos não é garantida apenas pelo isolamento principal, sendo necessária uma medida de segurança complementar, ligando as partes condutoras acessíveis a um condutor de proteção ligado à terra. – Classe II: Para estes equipamentos a proteção contra choques elétricos também não é garantida apenas pelo isolamento principal, necessitando 18 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 2. Conceitos transversais à manutenção de equipamentos médicos de um duplo isolamento, isolamento reforçado, ou medidas construtivas que garantam uma proteção equivalente. – Classe III: Equipamento em que a protecção contra os choques eléctricos é garantida por meio de uma alimentação à tensão reduzida de segurança (TRS) ou à tensão reduzida de protecção (TRP). Os símbolos que representam este tipo de equipamentos encontram-se representa- dos na Figura que se segue [42]. (a) Classe I. (b) Classe II. (c) Classe III. Ana Carina Rodrigues Vicente 19 Capítulo 3 Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Este capítulo é dedicado aos procedimentos de manutenção de alguns equipa- mentos médicos com os quais a aluna esteve envolvida no decorrer do estágio. Foi feita uma seleção dos equipamentos abordados, sendo eles: Monitor de Sinais Vitais (Secção 3.2), Desfibrilhador (Secção 3.3), Cama Hospitalar (Secção 3.4), Unidade Dentária (Secção 3.5), Eletrocardiógrafo (Secção 3.6), Seringa Infusora (Secção 3.7), Bomba Infusora (Secção 3.8) e Eletrobisturi (Secção 3.9). Para cada equipamento, é feita um descrição sumária do seu princípio de funcionamento bem como da in- formação normativa relevante e diretamente relacionada com os procedimentos de manutenção. Relativamente aos procedimentos de manutenção preventiva, são apon- tadas algumas linhas orientadoras (não vinculativas) para as várias tarefas a executar num procedimento desta natureza, sendo também exemplificados de que forma os equipamentos de teste auxiliam todo esse processo. Relativamente aos procedimentos de manutenção corretiva, foi feita a seleção e descrição (não exaustiva) de algumas das situações mais comuns. 3.1 Procedimentos gerais de intervenção a um equi- pamento As ações de manutenção preventiva são imprescindíveis para a monitorização dos equipamentos, tendo como principal objetivo prevenir a ocorrência de avarias. De forma a realizar uma manutenção preventiva, o fabricante de cada equipa- mento ou o próprio técnico de eletromedicina (TE) elabora um plano de manutenção preventiva, que, deve considerar todas as informações do fabricante e as recomenda- ções referidas nas normas aplicáveis ao equipamento. É neste plano que se encontra a recomendação para o intervalo de tempo em que se deve efetuar as manutenções 21 3.1. Procedimentos gerais de intervenção a um equipamento bem como as tarefas específicas a que cada equipamento terá que ser submetido. A título de exemplo, é demonstrado na Figura 3.1, um plano de manutenção preventiva a equipamentos gerais. Figura 3.1: Ficha de manutenção preventiva - equipamentos gerais Este é iniciado pelo registo de todas as informações necessárias para a identificação do equipamento a que se está a realizar a manutenção preventiva (MP), seguida do registo dos componentes externos que o equipamento possa ter, como cabos, mangas, entre outras, para o caso de ser necessário proceder -se à troca de algum dos acessórios. É realizada uma verificação qualitativa, em que se realiza uma inspeção ao chasiss, onde são verificados todos os cabos e acessórios, entre outros, e uma verificação quantitativa, em que se realizam os testes necessários para cada equipamento, de forma a aferir a sua viabilidade. Após cada manutenção preventiva, e sendo executada com sucesso, é colocada uma etiqueta de MP da própria empresa que fez a manutenção no equipamento. 22 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos No caso da Althea, a etiqueta é a representada na Figura 3.2. Figura 3.2: Etiqueta manutenção preventiva A presença desta etiqueta prova que a manutenção preventiva foi realizada, e nela estará marcado o dia e o ano em que a próxima terá que ser realizada novamente. Por fim, na plataforma de gestão da manutenção, é aberta, pelo técnico de eletromedicina (TE), uma Ordem de Trabalho (OT) de manutenção preventiva para que seja possível anexar no ativo do equipamento, o plano de manutenção preventiva preenchido, comprovando, a realização do mesmo, e a conformidade, ou não, do equipamento. Caso o equipamento não se encontre conforme, terá que ser aberta nova OT, desta vez de manutenção corretiva, de forma a reparar a avaria encontrada. Consoante o tipo de contrato em que o equipamento esteja inserido, por exemplo, se ainda é um equipamento em garantia, a realização do plano de manutenção preventiva fica ao abrigo do próprio fornecedor, caso não esteja em nenhum contrato que seja o fornecedor a realizar, é o TE que fica responsável pela realização do mesmo. Num processo de manutenção corretiva, geralmente, este é iniciado pelo enfer- meiro/técnico do serviço onde o equipamento se encontra. Este, abre uma OT, na qual faz um pedido de intervenção ao equipamento em questão, onde expõem as principais informações para identificação do equipamento, como a sua designação, o seu número de ativo e a localização do mesmo, seguida de uma pequena descrição da avaria que apresenta. Após o TE verificar o pedido na plataforma de gestão da manutenção podem acontecer duas situações diferentes, caso se encontre numa: • Equipa móvel: Caso o TE pertença à equipa móvel da empresa este irá ter OT pertencentes a várias unidades de saúde, significando isto que terá que gerir os pedidos baseando-se, por exemplo, na urgência e na localização. Será abordada na Secção 4.7 a aplicação que existe para os telemóveis à qual os TE tem acesso com a plataforma de gestão de manutenção, facilitando neste caso em que consegue ver as OT sem precisar de um computador. • Equipa residente: Visto que o TE pertence à equipa residente, torna-se mais fácil ir de imediato aos serviços tratar dos pedidos. Ana Carina Rodrigues Vicente 23 3.2. Monitor de sinais vitais Normalmente, após a realização de cada manutenção corretiva, são realizadas todas as tarefas do plano de manutenção preventiva de forma a verificar que realmente o equipamento se encontra operacional. 3.2 Monitor de sinais vitais Os monitores de sinais vitais são considerados dos equipamentos mais importantes para se ter numa unidade de saúde, sendo de presença obrigatória em setores de emergência, unidades de terapia intensiva, centros cirúrgicos, salas de recuperação pós cirúrgica, ambulatórios e ambulâncias [43]. 3.2.1 Descrição funcional Este equipamento tem a funcionalidade de proceder à monitorização contínua dos sinais vitais do paciente, através das informações passadas pelo monitor e de alarmes visuais e sonoros que alertam para uma possível alteração dos limites estipulados. Dependendo da configuração, os monitores de sinais vitais podem monitorizar múltiplos parâmetros, sendo os mais comuns: • Pressão arterial: A pressão arterial refere-se à tensão que o sangue produz contra as paredes das artérias. O monitor multiparamétrico pode ser utilizado para medir: – Pressão arterial não invasiva (PNI): É uma medição que pode ser realizada em casa, por exemplo com um esfigmomanómetro, Figura 3.3, não necessi- tando de ser feita por um profissional de saúde. Consiste numa braçadeira que é colocada à volta do braço do paciente, a qual é insuflada com o objetivo de comprimir as artérias e quantificar as medidas de pressão máxima e mínima [2]. Figura 3.3: Esfigmomanômetro digital [2] 24 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos – Pressão arterial invasiva (PAI): Nesta medição é necessário que seja realizada por um profissional de saúde, pois é preciso que seja inserido um cateter na artéria do paciente 3.4. Este método tem como objetivo uma monitorização contínua da pressão arterial [3]. Figura 3.4: Pressão arterial invasiva [3] • Eletrocardiograma (ECG): Neste processo são aplicados no paciente, em posições estipuladas, elétrodos de modo a monitorizar a atividade elétrica do coração. De salientar que, a pele é um mau condutor de eletricidade, e desta forma tenha de haver uma preparação da pele do paciente, como a tiragem dos pêlos nas zonas em que irá ser aplicado o elétrodo, para facilitar a boa condutividade do elétrodo. O objetivo deste procedimento é, com a ajuda dos elétrodos, verificar se existe alguma falha nos batimentos cardíacos do paciente, nomeadamente a existência de arritmias, taquicardias ou baquicardias [44]. Dependendo do plano elétrico do coração que esteja a ser registado, podem-se obter as derivações periféricas (plano frontal) e as derivações precordiais (horizontal). As derivações periféricas, dividem-se nas derivações Bipolares/Einthoven, e nas derivações Unipolares Aumentadas. Começando pelas derivações Bipolares/Einthoven, estas são conhecidas como as 3 derivações clássicas, que formam o triângulo de Einthoven, as quais registam a diferença de potencial entre dois elétrodos localizados em diferentes membros, Figura 3.5. Ana Carina Rodrigues Vicente 25 3.2. Monitor de sinais vitais Figura 3.5: Derivações periféricas e triângulo de Einthoven [4] – D1: Traduz a diferença de potencial entre o braço direito e o braço esquerdo; O vector terá a direcção de 0º. – D2: Traduz a diferença de potencial entre o braço direito e a perna esquerda; O vector terá a direcção de 60º. – D3: Traduz a diferença de potencial entre o braço esquerdo e a perna esquerda; O vector terá a direcção de 120º. As Derivações Unipolares Aumentadas derivações traduzem a diferença de potencial entre um ponto teórico no centro do triângulo de Einthoven, com um valor de 0, e os elétrodos em cada extremidade: – aVR: Traduz o potencial absoluto do braço direito, o vector terá direcção de -150º. – aVL: Traduz o potencial absoluto do braço esquerdo, o vector terá direcção de -30º. – aVF: Traduz o Potencial absoluto da perna esquerda, o vector terá direcção de 90º. A letra V significa Vector, e as letras R, L, F significam direita, esquerda e pé (em inglês), e a letra a minúscula significa amplificada, pois as derivações unipolares atuais são amplificados com relação ao inicial [4]. As derivações precordiais, Figura 3.6, são determinadas através de seis deri- vações unipolares posicionadas em pontos anatómicos específicos de modo a explorar a face anterior do tórax, denominadas V1, V2, V3, V4, V5 e V6 [5]. 26 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.6: Posicionamento das derivações precordiais [5] • Saturação do oxigénio: A oximetria de pulso, é um método não invasivo de monitorização contínua da saturação periférica de oxigénio da hemoglobina, presente no organismo do paciente. De forma a realizar o exame, é utilizado um sensor de oximetria, Figura 3.7. Figura 3.7: Sensor de oximetria [6] O principio de funcionamento destes sensores baseiam-se em duas partes: nos díodos emissores de luz (LED’s) e num detector de luz (chamado fotodetetor). O LED, funciona como um emissor, em que o feixe de luz é emitido e atravessa o dedo do paciente sendo captado pelo fotodetetor que se encontra no lado oposto do sensor 3.8. Para que o sensor funcione é necessário que este seja colocado num local onde a pulsação seja detetada [45], tal como representado na figura 3.8. Figura 3.8: Sensor de pulso Ana Carina Rodrigues Vicente 27 3.2. Monitor de sinais vitais 3.2.2 Informação normativa A norma particular IEC 80601-2-49:2018 -Medical electrical equipment - Part 2-49: Particular requirements for the basic safety and essential performance of multifunction patient monitors, é aplicada a monitores multiparamétricos de pacientes, presentes nas instalações profissionais de saúde, ambientes de serviços médicos de emergência, bem como em ambientes de saúde domésticos [46]. A norma colateral IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, aplica-se à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. Tal como já foi referido na Secção 3.2.1, um monitor de sinais vitais possui múltiplos parâmetros, sendo que cada parâmetro tem uma norma particular associada. Em relação ao parâmetro da pressão arterial, é aplicada a norma IEC 60601- 2-34:2011 - Medical electrical equipment - Part 2-34: Particular requirements for the basic safety and essential performance of invasive blood pressure monitoring equipment, a qual baseia-se na segurança básica e no desempenho essencial do equipamento de monitorização invasivo da pressão arterial. Não se aplicando a tubos e agulhas de cateteres, bem como a equipamentos de monitorização de pressão arterial não invasivos [48]. A norma IEC 80601-2-30:2018 - Medical electrical equipment - Part 2-30: Par- ticular requirements for the basic safety and essential performance of automated non-invasive sphygmomanometers, aplica-se à segurança básica e desempenho es- sencial de esfigmomanómetros automatizados, usados para estimativa indireta não contínua da pressão sanguínea [49]. Para o parâmetro do ECG, aplica-se a norma IEC 60601-2-27:2011 - Medical electrical equipment - Part 2-27: Particular requirements for the basic safety and essential performance of electrocardiographic monitoring equipment. Esta norma é aplicada a equipamentos de eletrocardiografia usados em ambiente hospitalar, bem como usados fora do ambiente hospitalar, como em ambulâncias e transporte aéreo [50]. Relativamente à oximetria de pulso, é aplicada a norma ISO 80601-2-61:2017 - Medical electrical equipment - Part 2-61: Particular requirements for basic safety and essential performance of pulse oximeter equipment, relativa à segurança básica e ao desempenho essencial do equipamento de oxímetro de pulso destinado ao uso em humanos, incluindo qualquer peça necessária para o uso normal, tal como o monitor do oxímetro de pulso, a sonda do oxímetro de pulso e o extensor do cabo da sonda [51]. 28 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos 3.2.3 Manutenção preventiva Ao longo do estágio existiu contacto com várias marcas e modelos de monitores de sinais vitais, pelo que nesta secção, é apresentada, a título de exemplo, uma MP relativa ao monitor com que a aluna teve mais contacto, sendo que foi o IntelliVue MP30, Figura 3.9. Figura 3.9: Monitor de sinais vitais: IntelliVue MP30 Normalmente, a manutenção dos monitores de sinais vitais requerem uma perio- dicidade de 12 meses e pode ser dividida em duas etapas: • Ações qualitativas Nesta primeira fase são realizadas ações qualitativas, ações essas que se baseiam num conjunto de tarefas que visam a prevenção de anomalias, evitando uma posterior manutenção corretiva. Na Figura 3.10 pode-se observar, de uma maneira geral, o conjunto de tarefas a serem efetuadas durante esta fase. Figura 3.10: Tarefas qualitativas gerais: Monitor Ana Carina Rodrigues Vicente 29 3.2. Monitor de sinais vitais Verificação/Substituição da bateria Para os equipamentos de monitorização é de extrema importância a sua au- tonomia, e desta forma, é preciso uma atenção reforçada na manutenção das baterias destes equipamentos. Como primeiro passo é verificada a data de instalação da mesma, isto porque, geralmente estas baterias são trocadas a cada 5 anos; num segundo passo é medida a diferença de potencial nos terminais da bateria com a ajuda do multímetro digital Fluke F15B+, Figura 3.11 Figura 3.11: Multímetro digital: Fluke F15B+ As baterias devem ser submetidas a certas condições, como por exemplo, no caso de não serem utilizadas durante períodos prolongados, é necessário removê- las do monitor, sendo essencial recarregá-las, no mínimo, a cada 6 meses, e descarregar por completo uma vez por mês, com o objetivo de preservar a respetiva vida útil. • Ações quantitativas Na segunda etapa da manutenção são realizadas ações qualitativas, tais como proceder à verificação dos alarmes existentes, sendo que habitualmente são: – Inibição alarme; – Alarme bradicardia; – Alarme taquicardia; – Alarme falta de elétrodos; – Alarme SpO2; – Alarme falta de sensor de SpO2; – Alarme pressões; Para a realização desta verificação é apenas necessário configurar o simulador para um valor máximo e mínimo, superior e inferior, respetivamente, ao estipulado no monitor, de forma a verificar se o monitor emite ou não os alarmes. 30 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos De seguida, com o equipamento de teste Fluke ProSim4, Figura 3.12, simulou-se um ECG, onde são testados diferentes valores bpm, por exemplo, 60 bpm, 90 bpm, 120 bpm, de forma a verificar a correspondência de valores, de acordo com as tolerâncias estabelecidas pelo fornecedor, tanto no equipamento como no simulador, garantindo a viabilidade do equipamento. Figura 3.12: Equipamento de teste: Fluke ProSim4 Também com o equipamento de teste Fluxe ProSim4, é realizada uma simulação para medir a tensão arterial, utilizando uma braçadeira e uma garrafa de mercúrio ligados entre os equipamentos. Relativamente ao simulador de SpO2, é utilizado o equipamento de teste Fluke Prosim Light, Figura 3.13, em que é um exame realizado com o simulador de dedo, Figura 3.7, com o intuito de obter também uma correspondência de valores entre equipamentos, de acordo com as tolerâncias estabelecidas. Figura 3.13: Equipamento de teste: Fluke ProSim Light A MP é finalizada com o teste de segurança elétrica em que se utiliza o equipa- mento referente à Figura 3.14. O teste de segurança elétrica baseia-se na realização de um conjunto de testes, em que se mede a corrente de fuga de baixa frequência e a resistência terra, que Ana Carina Rodrigues Vicente 31 3.2. Monitor de sinais vitais Figura 3.14: Equipamento de teste: Fluke ESA609 não podem ultrapassar os 500 uA e os 0,200 Ohm, respetivamente. A finalidade da realização destes testes é, proteger tanto os profissionais como os pacientes que utilizam o equipamento de apanharem um choque elétrico ou de eventuais incêndios que possam surgir devido à sobrecarga elétrica, sobreaquecimento [52]. Caso todas as tarefas do plano de manutenção estejam em conformidade, coloca-se a etiqueta da MP realizada, Figura 3.2, a qual deve conter a data da próxima MP. 3.2.4 Manutenção corretiva A título de exemplo, irá ser apresentada uma manutenção corretiva realizada num monitor de sinais vitais, IntelliVue MP30, em que a aluna esteve envolvida. Na Figura 3.15, é possível verificar uma síntese dos procedimentos realizados nesta OT. Figura 3.15: Procedimentos corretivos: Monitor de sinais vitais 32 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos A ordem de trabalho foi efetuada pela enfermeira chefe do serviço, onde esta vinha com a descrição de que o monitor não passava imagem, sendo que, no entanto este dava sinal de início de sessão. Posto isto, foi necessário abrir o monitor para se tentar perceber de onde vinha o problema, Figura 3.16. Figura 3.16: Manutenção corretiva de um monitor de sinais vitais Após se abrir o monitor, o TE realiza uma inspeção visual de modo a procurar algum componente solto, ou partido. Caso não encontre, são iniciadas as medições de todos os fusíveis da placa, com a ajuda do multímetro digital Fluke F15B+, Figura 3.11, para ver se existe algum fundido. Isto porque, um fusível, 3.17, tem como função estar preparado para fundir quando a intensidade da corrente ultrapassar o valor definido ou quando ocorrer um curto-circuito, protegendo assim a instalação e os equipamentos [53]. Após verificarmos todos os fusíveis, verificou-se que um estava queimado e procedeu-se à sua troca. Figura 3.17: Fusível 500 mA Após voltar a ligar o monitor verificou-se que este já estava a funcionar, e de forma a dar como encerrada a OT, são realizadas as tarefas estipuladas para a MP dos monitores de sinais vitais, demonstradas na Secção 3.2.3 e verificou-se que o equipamento estava operacional e pronto a ser entregue. 3.3 Desfibrilhador Uma paragem cardiorrespiratória (PCR) é um acontecimento repentino carateri- zado pela interrupção das atividades cardíacas e respiratórias [54]. Desta forma, a desfibrilhação irá atuar como a aplicação de uma corrente elétrica numa vítima em Ana Carina Rodrigues Vicente 33 3.3. Desfibrilhador PCR, através de um desfibrilhador, tendo como objetivo reverter a paragem cardíaca [55]. 3.3.1 Descrição funcional Durante o estágio houve contacto com dois tipos de desfibrilhadores: • desfibrilhador externo manual (DEM); • desfibrilhador automático externo (DAE). O DEM é um equipamento usado em ambiente hospitalar, como unidades de tratamento intensivo, salas de cirurgia e outros ambientes que contem com a presença de profissionais de saúde treinados para o uso do mesmo [55]. O desfibrilhador é composto por duas pás que recebem um gel condutor e que são posicionadas no peito do paciente e carregadas, conforme a necessidade. Na Figura 3.18, está representado o Desfibrilhador e monitor-Mindray Beneheart D3, o tendo sido o desfibrilhador com o qual a aluna teve mais contacto, e pode-se com este equipamento ter acesso à monitorização, ao desfibrilhador manual, DAE e marcapasso. Figura 3.18: Desfibrilhador externo semiautomático: BeneHeart D3-Mindray O DAE é, por sua vez, um dispositivo computorizado, sendo representado na Figura 3.19, um desfibrilhador automático externo - Mindray BeneHeart D1, com o qual a aluna teve oportunidade de ter contacto e criar a ficha de manutenção preventiva do mesmo, Secção 4.7.1. Este utiliza elétrodos adesivos ao tórax da vítima, e que após análise automática da atividade elétrica cardíaca irá recomendar, se necessário, a aplicação de um choque com o intuito de reverter a situação. Este equipamento pode ser utilizado tanto por profissionais de saúde como por civis, devido aos comandos verbais e visuais que permitem a fácil perceção para qualquer cidadão poder utilizar o desfibrilhador em segurança. [56] 34 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.19: Desfibrilhador automático externo: Mindray BeneHeart D1 3.3.2 Informação normativa A norma particular associada aos Desfibrilhadores é a IEC 60601-2-4:2010+AMD1:2018 CSV Consolidated version - Medical electrical equipment - Part 2-4: Particular re- quirements for the basic safety and essential performance of cardiac defibrillators [57]. A norma colateral aplicável é a IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual aplica-se à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. 3.3.3 Manutenção preventiva O equipamento escolhido para exemplificar o processo de MP dos desfibrilhadores foi o BeneHeart D3 da Mindray, tal como já foi referido na 3.3.1. Dada a importância deste equipamento, a sua manutenção requer uma reforçada atenção e cuidado, pelo que o seu plano de manutenção requer uma periodicidade entre manutenções até 6 meses. À semelhança dos monitores de sinais vitais, também é possível dividir a MP dos desfibrilhadores em duas etapas: • Ações qualitativas Cada MP é iniciada com uma análise, representada na Figura 3.20, do estado de todo o equipamento, de forma a verificar que não existem possíveis danos que comprometam o funcionamento do equipamento. Ana Carina Rodrigues Vicente 35 3.3. Desfibrilhador Figura 3.20: Tarefas qualitativas gerais: Desfibrilhador Verificação dos cabos/acessórios Na verificação dos cabos/acessórios é necessário que haja uma especial atenção às pás, pois estas podem acumular resíduos de gel condutor, colocando em risco a segurança do operador e a eficiência das próximas descargas. É também necessário verificar a data de validade dos elétrodos descartáveis. Realização do auto teste Relativamente ao equipamento escolhido, o próprio vem incorporado com um teste que se deve realizar diariamente, em que o próprio verifica a energia, controlo e funcionalidades. • Ações Quantitativas É utilizado o equipamento de teste, Fluxe Impulse 70000DP, Figura 3.21, para se proceder aos testes quantitativos da MP. 36 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.21: Equipamento de teste Fluke Impulse 7000DP Este equipamento possui um condensador de grande capacidade que armazena a energia na forma de eletrões, sendo carregado em segundos por uma bateria ou pela rede elétrica. De maneira a verificar se o condensador se encontra em boas condições de utilização, é feita uma descarga, por intermédio das pás, à carga máxima em que, após fazer a ação de carga, aguarda-se 15 segundos até fazer a ação de choque e verifica-se se o valor medido não ultrapassa a tolerância definida, caso contrário é necessário a sua substituição. A MP é finalizada com o teste de segurança elétrica, tal como nos monitores de sinais vitais, em que se utiliza o equipamento Fluke-ESA609, Figura 3.14. Caso todas as tarefas do plano de manutenção estejam em conformidade, coloca-se a etiqueta da MP realizada, Figura 3.2, a qual deve conter a data da próxima MP. 3.4 Cama hospitalar A cama hospitalar é um equipamento bastante usado no quotidiano de uma unidade hospitalar e desta forma a importância de um cuidado especial de forma a assegurar um maior nível de segurança, bem-estar e descanso ao paciente. 3.4.1 Descrição funcional As camas hospitalares são indicadas para doentes que recebam tratamento durante períodos prolongados nas unidades de saúde. A cama hospitalar com que a aluna teve mais contacto foi a cama marca da stryker, Figura 3.22. Ana Carina Rodrigues Vicente 37 3.4. Cama hospitalar Figura 3.22: Cama hospitalar [7] Este tipo de equipamentos têm controlos que permitem ajustar a superfície onde o doente dorme, sendo alimentados por corrente contínua em caso de falha estando protegidos por um sistema de baterias. A cama é composta por quatro secções: o apoio para as costas, o assento, a secção para a parte superior da perna e a secção para a parte inferior da perna. As grades são divididas com duas grades laterais na extremidade do lado da cabeça e duas grades laterais na extremidade do lado dos pés. Estas, ficam fixas na posição mais elevada, e quando estiverem destrancadas, abrem-se para fora e deslocam-se para a posição mais baixa. Para acionar as funções eletromecânicas existe o painel de controlo da grade lateral, o controlo remoto do doente e o controlo remoto da equipa de enfermagem [7]. 3.4.2 Informação normativa A norma associada às camas hospitalares é a IEC 60601-2-52:2009+AMD1:2015 CSV Consolidated version - Medical electrical equipment - Part 2-52: Particular requirements for the basic safety and essential performance of medical beds, a qual se aplica à segurança básica e desempenho essencial das camas hospitalares destinadas a adultos [58]. E a norma colateral presente é a IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual se refere à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. 38 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos 3.4.3 Manutenção preventiva A cama hospitalar tem um plano de manutenção com a periodicidade de um ano, no qual, geralmente, são realizadas as tarefas da Figura 3.24. Figura 3.23: Tarefas qualitativas gerais: Cama hospitalar Esta é iniciada por uma inspeção a nível visual, em que se verificam as rodas e os travões, o colchão e o estrado, as grades, e o cabo de alimentação. De seguida, é realizada uma inspeção mecânica, em que se realizam testes ao controlo principal e ao do utilizador, que permitem ajustar as várias posições da cama. Estes testes são realizados com o equipamento a funcionar apenas com a bateria, de modo a verificar a autonomia da mesma, finalizando com a medição da sua carga. Para finalizar a MP e com o auxílio do equipamento de teste de segurança elétrica, Figura 3.14, foram realizados os testes de segurança elétrica, nomeadamente a medição da corrente de fuga e da resistência terra. Caso todas as tarefas do plano de manutenção estejam em conformidade, coloca-se a etiqueta da MP realizada, Figura 3.2, a qual deve conter a data da próxima MP. 3.4.4 Manutenção corretiva A ordem de trabalho foi realizada por uma enfermeira do serviço e na Figura 3.24 é possível observar uma síntese das tarefas realizadas. Ana Carina Rodrigues Vicente 39 3.4. Cama hospitalar Figura 3.24: Procedimentos corretivos: Cama hospitalar Uma avaria que costuma acontecer nas camas hospitalares são os comandos ficarem bloqueados, e com isto, não se conseguir realizar movimentos na cama. Para resolução desta manutenção corretiva, é necessário pressionar continuamente os dois primeiros botões do comando, representado na Figura 3.25. Figura 3.25: Comando de cama: Sriker Após este processo é verificado que os comandos se encontram novamente desblo- queados, ficando o equipamento operacional e pronto a ser utilizado. 40 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos 3.5 Unidade dentária Uma unidade de saúde que presta serviços dentários consiste num conjunto de elementos odontológicos com os quais os médicos dentistas trabalham, destinado a facilitar o trabalho da equipa profissional e a proporcionar uma maior comodidade ao paciente. 3.5.1 Descrição funcional É composta por diferentes partes, como a cadeira, o encosto, o apoio de cabeça, a bandeja porta-instrumentos, o pedal, entre outros, Figura 3.26 [8]. Figura 3.26: Unidade dentária [8] 3.5.2 Informação normativa A norma ISO 7494-1:2018 Odontologia - Dentistry — Stationary dental units and dental patient chairs — Part 1: General requirements, especifica os requisitos e métodos de teste para unidades dentárias fixas, cadeiras odontológicas para pacientes e combinações de ambos, independentemente de serem ou não elétricos, especificando também os requisitos para as instruções de uso, para a descrição técnica, para marcação e para embalagem [59]. A norma colateral presente é a IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual aplica-se à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. Ana Carina Rodrigues Vicente 41 3.6. Eletrocardiógrafo 3.5.3 Manutenção corretiva A ordem de trabalho foi realizada pelo dentista do serviço, em que na descrição da OT vinha mencionado que a mesa de instrumentos não parava de pingar. Na sequência deste pedido, estão apresentadas na Figura 3.27, as etapas que se seguiram para a resolução do problema. Figura 3.27: Procedimentos corretivos: Unidade dentária Iniciou-se por abrir a mesa de instrumentos e verificou-se que a válvula da água estava a pingar, Figura 3.28. Figura 3.28: Válvulas de água Visto que a válvula é a responsável por permitir ou não a passagem da água, percebeu-se que esta não estaria a fazer o bloqueio da passagem. Dessa forma, procedeu-se à sua troca, sendo depois realizados os testes funcionais, verificando-se a sua conformidade. Deu-se por concluído o procedimento de manutenção corretiva. 3.6 Eletrocardiógrafo A eletrocardiografia é uma técnica de registo da corrente elétrica do coração que é usada na investigação das doenças cardiovasculares. O eletrocardiograma é utilizado para monitorizar a atividade elétrica do coração, através de elétrodos, Figura 3.32. 42 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.29: Elétrodos ECG 3.6.1 Descrição funcional O ECG mais utilizado é feito repouso e para a realização deste exame é necessário utilizar um gel no tórax e nos membros para a colocação dos elétrodos em posições específicas no corpo do paciente com o intuito de avaliar o ritmo dos batimentos cardíacos, Figura 3.30, [60]. Figura 3.30: ECG de repouso [9] Porém, existem outros tipos de eletrocardiogramas que podem ser feitos [9]: • ECG de esforço: Além dos elétrodos utilizados no ECG em repouso, é também necessária uma passadeira ou uma bicicleta ergométrica. Permite avaliar um doente com angina, assim com avaliar o coração sob condições de stress. Figura 3.31: ECG de esforço [9] Ana Carina Rodrigues Vicente 43 3.6. Eletrocardiógrafo • ECG holter: É um tipo de eletrocardiograma no qual é registada a atividade do coração durante 24 horas. Permite estudar o comportamento do coração ao longo do dia, tendo em conta as atividades e sintomas do doente. Figura 3.32: ECG holter [9] 3.6.2 Informação normativa A norma aplicada é a IEC 60601-2-25:2011: Medical electrical equipment - Part 2-25: Particular requirements for the basic safety and essential performance of electrocardiographs, a qual verifica a segurança básica e o desempenho essencial de eletrocardiógrafos projetados por si próprios ou como parte de um sistema elétrico médico, para a produção de relatórios de eletrocardiograma para fins de diagnóstico [61]. E a norma colateral aplicável é a IEC 60601-1-1:2000- Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual refere-se à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. 3.6.3 Manutenção preventiva De forma análoga aos equipamentos de monitorização é possível dividir a MP em duas etapas: • Ações qualitativas O eletrocardiógrafo com que a aluna teve mais contacto foi o Eletrocardiógrafo Cardiovit AT-1 G2 da Schiller, Figura 3.33. 44 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.33: Eletrocardiógrafo: Schiller [10] À semelhança dos equipamentos de monitorização, as tarefas gerais a serem realizadas são as representadas na Figura 3.34. Figura 3.34: Tarefas gerais qualitativas: Eletrocardiógrafo • Ações quantitativas Os testes de funcionamento a equipamentos com capacidade de monitorização de ECG foram efetuados utilizando o simulador de sinais vitais ProSim 8, Figura 3.35, capaz de realizar o teste de ECG, respiração, temperatura, o simulador IBP, NIBP e SpO2. Ana Carina Rodrigues Vicente 45 3.7. Seringa infusora Figura 3.35: Equipamento de teste: ProSim8 Vital Sings Simulator 3.7 Seringa infusora A área da terapia de infusão implica o tratamento dos pacientes com soluções administradas por via intravenosa, de forma a possibilitar a recuperação ou melhoria do seu estado clínico [62]. O sistema de uma seringa infusora, Figura 3.36, destina-se à utilização por profissionais de saúde qualificados no ambiente de instituições de saúde, cuidados domiciliário e transporte médico. Figura 3.36: Manutenção preventiva seringa infusora 3.7.1 Descrição funcional Este equipamento é destinado à utilização por parte de doentes adultos, pediátricos e neonatais para a administração intermitente ou contínua de fluidos indicados para terapia de infusão, incluindo fármacos, sangue e componentes do sangue [63]. A administração é realizada através de uma seringa que é colocada no dispositivo mecânico denominado por braço. O braço é acionado pelo movimento de um motor, sendo este responsável pelo deslocamento linear do mesmo. A vantagem deste mecanismo é a possibilidade de garantir volumes muito precisos de infusão, num processo contínuo. 46 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos 3.7.2 Informação normativa A norma associada a estes equipamentos é a IEC 60601-2-24:2012 - Medical electrical equipment - Part 2-24: Particular requirements for the basic safety and essential performance of infusion pumps and controllers, a qual se aplica à segurança básica e desempenho essencial de bombas de infusão e controladores de infusão volumétricos [64]. A norma colateral aplicável é a IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual refere-se à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. 3.7.3 Manutenção preventiva No decorrer do estágio foram realizadas várias manutenções preventivas a seringas infusoras. Na Figura 3.37, encontram-se representadas as tarefas efetuadas relativas às ações qualitativas. Figura 3.37: Tarefas gerais qualitativas: Seringas infusoras Para a realização das ações quantitativas do plano de manutenção deste equipa- mento foi utilizado o equipamento de teste Fluke IDA-1S, Infusion Device, Figura 3.38. Ana Carina Rodrigues Vicente 47 3.7. Seringa infusora Figura 3.38: Equipamento de teste: Fluke IDA-1S Infusion Device Analyzer Nesta fase, os testes são iniciados por um teste de fluxo, onde se seleciona Flow no Menu e se pressiona Enter de seguida, abrindo no ecrã representada na Figura 3.39. Este ecrã encontra-se no modo Prime, ou seja preparado, e a linha a vermelho significa que existe ar no canal e desta forma é necessário inserir liquido no canal até preencher a linha vermelha de azul. Figura 3.39: Ecrã do fluxo do canal Na seringa é programado o fluxo, e o volume, e automaticamente é dado o tempo que irá decorrer até à infusão, após esta etapa pressiona-se no Auto-start no equipamento de teste de forma a iniciar o teste quando o movimento do líquido é detetado. No final do teste é apresentado um ecrã idêntico ao representado na Figura 3.40, (com os valores que o utilizador tenha colocado), e o intuito do teste aferir se o erro entre os valores do equipamento de teste e do equipamento médico sob teste está abaixo do máximo admissível. Este teste é repetido duas vezes, com valores de teste diferentes, para confirmação. 48 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.40: Parâmetros de medição do fluxo do canal Por último, é realizado o teste de oclusão, o qual verifica se a quantidade de pressão definida pelo utilizador é a mesma no final do teste. Para isto, seleciona-se no Menu a opção Occlusion, e no final do teste irá aparecer um ecrã semelhante à Figura 3.41. Figura 3.41: Parâmetros de medição da oclusão Também nestas verificações são testados todos os alarmes. Por fim, é medida a carga da bateria e caso todas as tarefas do plano de manutenção estejam em conformidade, coloca-se a etiqueta da MP realizada, Figura 3.2, a qual deve conter a data da próxima MP. 3.7.4 Manutenção corretiva A ordem de trabalho foi realizada pelo enfermeiro do serviço, em que na descrição da avaria presente no pedido de intervenção vinha mencionado que "O braço não realizava movimento". Ana Carina Rodrigues Vicente 49 3.7. Seringa infusora Na Figura 3.42 é possível observar uma síntese das tarefas realizadas neste procedimento de manutenção corretiva. Figura 3.42: Procedimentos corretivos: Seringa infusora Neste caso existiam duas hipóteses, a hipótese número 1, sendo que se deve sempre começar por esta, passa por verificar se o equipamento se encontra em garantia ou não. Foi verificado que não. Neste caso, é passado para a segunda hipótese que é proceder-se à sua reparação, isto porque, caso o equipamento estivesse em garantia então seria enviado para o fornecedor de forma a ser o próprio a realizar a reparação exigida. Visto que existem várias seringas sobressalentes na unidade, foi possível de imediato substituir a seringa com a avaria, não deixando desta forma o serviço em falta. Em relação à reparação da seringa, foi verificado que seria necessário se proceder à troca do braço. Visto que existia um mesmo braço, com a mesma marca, e do mesmo modelo do braço inoperacional, em stock, foi possível realizar a troca, Figura 3.43. 50 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.43: Manutenção corretiva: Seringa infusora Após se ter procedido à troca do braço, e se ter verificado que já fazia os movimentos pretendidos, foi realizado um pedido de calibração à marca, para que o equipamento esteja de facto operacional a entrar no serviço. Após calibração feita, é entregue de novo o equipamento ao serviço, e a OT fechada. 3.8 Bomba infusora O sistema de uma bomba infusora, Figura 3.44, é constituído por um tubo de silicone, um controlador de abertura manual, um sensor de conta gotas e um saco volumétrico de fluido a infundir no paciente. Figura 3.44: Bomba infusora 3.8.1 Descrição funcional Este tipo de sistema é, tal como nas seringas infusoras, utilizado em doentes adultos, pediátricos e neonatais, sendo estruturado para a administração de fármacos e alimentação. Traz a vantagem de poderem ser infundidas quantidades maiores que Ana Carina Rodrigues Vicente 51 3.8. Bomba infusora nas seringas sem que exista uma necessidade de troca constante (no sentido de as seringas levarem pouca quantidade de líquido comparativamente). No seu modo de funcionamento, o tubo de silicone é colocado dentro da bomba, ficando em contacto com um mecanismo que efetua movimentos peristálticos, ou seja, o movimento é baseado na alternância entre compressões e descompressões do tubo, originando o fluxo do fluido no interior do mesmo. A velocidade à qual estes movimentos resultam é controlada pelo utilizador, exprimindo-se em mililitros por hora (ml/h). Como acessório de segurança durante a infusão, surge o sensor das gotas, sendo res- ponsável por realizar a contagem fotoelétrica das gotas que infundem na extremidade superior do sistema de infusão intravenosa. 3.8.2 Informação normativa A norma associada a estes equipamentos é a IEC 60601-2-24:2012 - Medical electrical equipment - Part 2-24: Particular requirements for the basic safety and essential performance of infusion pumps and controllers, a qual se aplica à segurança básica e desempenho essencial de bombas de infusão e controladores de infusão volumétricos [64]. A norma colateral presente é a IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual se refere à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. 3.8.3 Manutenção preventiva Semelhante aos procedimentos realizados na manutenção preventiva das seringas infusoras, as tarefas realizadas para as ações qualitativas destes equipamentos são as representadas na figura 3.37 Em relação às ações quantitativas, para um bom funcionamento inicial da bomba é necessário assegurar que a bomba é corretamente instalada e o frasco de infusão não se encontra por baixo desta, tal como se encontra representado na Figura 3.45. 52 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.45: Sensor de gotas Para a realização dos procedimentos das ações quantitativas é possível verificar na Secção 3.7.3, pois são os mesmos. O que essencialmente difere entre estas duas MP, são os alarmes necessários a serem testados, nomeadamente: • alarme de existência de ar na linha: Onde é colocado um sistema de perfusão com ar na linha e verificado se o alarme é acionado; • porta indevidamente fechada: É iniciado um teste com a porta indevidamente fechada e verificado se o alarme é acionado; • sensor de gotas inativo: É retirado o sensor de gotas do conta gotas e verificado se o alarme é acionado Por fim, é medida a carga da bateria e caso todas as tarefas do plano de manu- tenção estejam em conformidade, coloca-se a etiqueta da MP realizada, Figura 3.2, a qual deve conter a data da próxima MP. 3.8.4 Manutenção corretiva Um procedimento de manutenção corretiva em que a aluna participou foi numa OT em que vinha a indicação de que o botão da seta da esquerda do display não funcionava. Na Figura 3.46, é possível observar uma síntese das etapas realizadas para resolução do problema. Ana Carina Rodrigues Vicente 53 3.8. Bomba infusora Figura 3.46: Procedimentos corretivos: Bomba infusora O procedimento de manutenção corretiva consistiu em realizar a troca de um display para outro, Figura 3.47, visto que existia stock de um display operacional da mesma marca e modelo, no armazém da manutenção. Figura 3.47: Manutenção corretiva: Bomba infusora De seguida, após se ter procedido à troca do display, verificou-se que todos os comandos faziam as funções estipuladas. Como se procedeu à abertura do equipamento é necessário fazer um pedido de calibração à própria marca, de forma a comprovar que o equipamento se encontra realmente operacional. Após calibração feita, o equipamento é devolvido ao serviço e a OT é fechada com o anexo do certificado de calibração emitido pela marca. 54 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos 3.9 Eletrobisturi O Eletrobisturi é um equipamento com peças de mão eletrocirúrgicas concebidas para realizar procedimentos cirúrgicos que requerem uma divisão [65]. O equipamento com que a aluna teve mais contacto no estágio foi o eletrobisturi da marca Covidien, Figura 3.48. Figura 3.48: Eletrobisturi: Covidien 3.9.1 Descrição funcional Um eletrobisturi pode ser utilizado no [66]: Modo de Corte: • corte baixo para tecidos delicados; • corte puro para um corte limpo e preciso; • Blend para corte com hemostasia. Modo de Coagulação: • Dessecação com coagulação de baixa voltagem, adequada para tecidos delicados e videocirurgia; • Fulguração com alto fator de crista, eficiente para a maioria das aplicações; • Fulguração com baixo fator de crista, para procedimentos que exijam voltagem mais baixa; • Spray para fulguração superficial de grandes áreas de tecidos. Modo Bipolar: • Preciso, padrão e macrobipolar controlados pelo sistema Instant Response • Os ajustes preciso e padrão utilizam baixa voltagem. Ana Carina Rodrigues Vicente 55 3.9. Eletrobisturi 3.9.2 Informação normativa A norma associada a este equipamento é a IEC 60601-2-2:2017 RLV Redline version: Medical electrical equipment - Part 2-2: Particular requirements for the basic safety and essential performance of high frequency surgical equipment and high frequency surgical accessories [67]. A norma colateral presente é a IEC 60601-1-1:2000 - Medical electrical equipment - Part 1-1: General requirements for safety - Collateral standard: Safety requirements for medical electrical systems, a qual aplica-se à segurança dos sistemas médicos elétricos, descrevendo os requisitos de segurança necessários para fornecer proteção quer ao paciente, quer ao operador [47]. 3.9.3 Manutenção preventiva A manutenção preventiva a nível de ações qualitativas, é iniciada pelas tarefas representadas na Figura 3.49. Figura 3.49: Tarefas gerais qualitativas: Eletrobisturi O procedimento inicial na MP do eletrobisturi passa por ver no seu verso a chapa de caraterísticas e verificar qual é o valor usado de resistência para cada corte e coagulação. Posteriormente, é utilizado o equipamento de teste QE-ES III ESU, Figura 3.50, para se proceder à MP. 56 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 3. Procedimentos de manutenção realizados nos equipamentos Figura 3.50: Equipamento de teste: Fluke QA-ES III Electrosurgery Analyzer Este equipamento é bastante fácil de utilizar, permitindo aos TE criar e executar testes automaticamente, recolher dados e produzir relatórios de fácil leitura [68]. Após realizadas todas as ligações entre o equipamento de teste e o eletrobisturi, são efetuados os ensaios ao corte e à coagulação, através da inserção de vários valores de potência no eletrobistui, sendo que os valores apresentados no analisador devem ir ao encontro do que é exibido no equipamento. A MP é finalizada com o teste de segurança elétrica em que se utiliza o equipa- mento Fluke-ESA609, Figura 3.14. Caso todas as tarefas do plano de manutenção estejam em conformidade, coloca-se a etiqueta da MP realizada, Figura 3.2, a qual deve conter a data da próxima MP. 3.9.4 Manutenção corretiva A ordem de trabalho foi realizada pelo enfermeiro chefe do bloco de operações. Este solicitava a troca do pedal de um pedal de um eletrobisturi Olympus ESG-400, Figura 3.51. Figura 3.51: Eletrobisturi Olympus ESG-400 Na Figura 3.52, é possível observar uma síntese dos procedimentos realizados para esta manutenção corretiva. Ana Carina Rodrigues Vicente 57 3.9. Eletrobisturi Figura 3.52: Procedimentos corretivos: Eletrobisturi No pedido de OT realizado vinha a indicação de que o cabo do pedal se encontrava descarnado, Figura 3.53. Figura 3.53: Pedal eletrobisturi Olympus ESG-400 Numa primeira fase, foi verificado que o cabo apenas tinha descarnado a superfície de protecão, não danificando os fios condutores, sendo que com o multímetro, foi verificado que existia continuidade no cabo. Desta forma, como não havia stock de pedais no armazém da manutenção, procedeu-se ao isolamento da parte descarnada do cabo, com fita isoladora e entregue ao serviço. Posteriormente, foi realizado um pedido de material com um pedal da mesma marca e modelo, para se proceder à troca do mesmo. Após a chegada de novo pedal, este é substituído no serviço e a OT é encerrada. 58 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 4 Tarefas de apoio à manutenção Para além da realização das atividades de manutenção propriamente ditas, um TE precisa também de ter outros conhecimentos e valências. No decorrer do estágio, a aluna teve a oportunidade de contactar e acompanhar a realização de outras tarefas, para além das que estão reportadas no Capítulo 3, estando as mesmas descritas neste capítulo. São descritos tipos de contratos de manutenção (Secção 4.1), a realização de pedidos de assistência técnica (Secção 4.2) e de pedidos de Material (Secção 4.3). É também mencionado como se procede numa auditoria de inventários (Secção 4.4), e no processo de abate de um equipamento (Secção 4.5). Discute-se também a utilidade de ser utilizada uma plataforma de apoio à gestão de manutenção e da necessidade de um TE saber utilizá-la como ferramenta de trabalho, sendo a plataforma adotada pela empresa de acolhimento brevemente descrita na Secção 4.6. Este capítulo termina com a apresentação de dois trabalhos complementares que a aluna realizou durante o estágio pela equipa residente, no Hospital CUF Coimbra (Secção 4.7). 4.1 Tipos de contratos de manutenção Sempre que é necessário intervir num equipamento, seja que tipo de manutenção for, é necessário que se abra uma OT. Estas OT são indicadas pelos enfermei- ros/técnicos do serviço onde o equipamento em questão se encontra, ou pelo próprio TE. Na OT é incluído o número de inventário do equipamento, o modelo, a marca, a sua localização e é realizada uma pequena descrição do problema que possa ter. Após se receber a OT e verificar qual é o equipamento em questão é verificado qual o tipo de contrato que o abrange e seguido o procedimento respetivo. A responsabilidade da decisão do tipo de contrato de manutenção é do gestor do equipamento e do gestor de manutenção. No decorrer no estágio, a aluna presenciou a existência de 2 tipos de contratos: 59 4.2. Pedidos de assistência técnica • Contrato de Assistência Técnica - Recorre-se a empresas externas para efetuarem as manutenções (quer sejam preventivas ou corretivas). Tratam-se de empresas que prestam serviços em regime de outsourcing e que podem prestar o serviço através da sua equipa móvel ou através de uma equipa residente (situada na unidade de saúde).; • Contra Consumo - O fornecedor do equipamento é o responsável pelas manutenções. 4.2 Pedidos de assistência técnica A realização do processo de um pedido de assistência técnica, quer para reparação de um equipamento, quer para pedido de peças ou consumíveis, envolve a solicitação, a uma ou mais fornecedores, de um pedido de orçamento para a assistência em questão. Desta forma, são enviadas as informações mais pertinentes do equipamento, sendo demonstrado um exemplo na Figura 4.1. Figura 4.1: Pedido de assistência técnica Nestes pedidos de assistência técnica, a aluna participou na recolha dos dados do equipamento e na elaboração do pedido, sempre sendo supervisionada e orientada pelo TE de serviço. 60 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 4. Tarefas de apoio à manutenção 4.3 Pedidos de material Os pedidos de material geralmente iniciam-se com o contacto a duas ou mais empresas a pedir um orçamento para o que se quer adquirir. O intuito é verificar o valor mais vantajoso, e de seguida providenciar o pedido de material. O pedido de material em si, é relativamente simples. Após se ter o orçamento, é necessário preencher uma nota de encomenda com as informações mais relevantes do que se quer, no caso, a designação do produto e a sua referência, referir o fornecedor escolhido, anexado o orçamento que foi atribuído, e a quantidade desejada. Com a submissão do documento para o gestor de manutenção, o pedido de material fica concluído, sendo necessário apenas esperar que o material chegue. 4.4 Auditoria de inventários Quando um equipamento novo dá entrada nas instalações de um hospital, o TE procede à sua receção. É necessário o equipamento vir acompanhado do relatório de conformidade CE, manuais em português, relatório de verificação bem como o plano de manutenção emitido pelo fabricante. Após se verificar que a documentação está em conformidade com o expectável, e ser feita uma inspeção visual ao equipamento comprovando de que se encontra conforme, é realizado o pré-ativo do equipamento de forma a dar entrada dos dados do equipamento na plataforma de gestão e manutenção. Após criado o pré-ativo, é colocada, como identificação, uma etiqueta de inventário, Figura 4.2. Figura 4.2: Etiqueta de inventário A importância da realização de um inventário, passa por se conseguir ter um controlo detalhado de todos os equipamentos existentes na unidade hospitalar. Um inventário deve conter as seguintes informações: • Identificação: Deve-se incluir o número de série, a designação do equipamento, a marca, o modelo, o número de série, o fornecedor, o ano de fabrico e ano de instalação, entre outros dados que sirvam como identificação. • Localização: Deve estar descrito o serviço no qual o equipamento se deve encontrar. Ana Carina Rodrigues Vicente 61 4.5. Processo de abate • Fotografia: Deve estar anexada uma fotografia do equipamento para ser de fácil percepção a todos os utilizadores de qual equipamento se trata. • Histórico: Deve conter as intervenções efectuadas, tais como, as manutenções, calibrações, certificados. Durante o estágio, principalmente durante as MP realizadas, foi necessário fazer algumas alterações às localizações dos equipamentos. Isso deveu-se, sobretudo, ao facto de os equipamentos circularem entre serviços, por exemplo, internamento - bloco operatório, e acabam por ficar numa localização que inicialmente não era a estipulada. Quando isto acontece, é necessário que se proceda à mudança de localização dos mesmos na base de dados, para que todos os interessados tenham conhecimento, e com isto haja também uma melhor gestão acerca do ciclo de vida do equipamento. 4.5 Processo de abate São realizadas propostas para abates ao inventário de equipamentos quando estes já não se encontram em bom funcionamento, ou então vão ser inativos durante um tempo até que sejam precisos outra vez. De forma a efetuar este pedido é realizada uma folha de abate, como por exemplo a representada na Figura 4.3, onde se indica o nome do equipamento e a sua fotografia, bem como as principais informações e o motivo do seu abate. Figura 4.3: Exemplo de uma folha de abate de equipamentos 62 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 4. Tarefas de apoio à manutenção Após preenchido, o documento terá de ser assinado pelo coordenador da manuten- ção, pelo gestor da manutenção bem como pelo gestor do serviço onde o equipamento se encontrava. Por fim, internamente, é assinalado na base de dados da plataforma de apoio à gestão e manutenção que o equipamento em questão, mencionando o seu número de ativo, foi abatido. 4.6 Plataforma de gestão da manutenção Dado o aumento do número de equipamentos numa unidade hospitalar, bem com a sua complexidade, surgiu a necessidade de desenvolver plataformas de apoio à gestão de equipamentos de eletromedicina, com o objetivo de evitar custos desnecessários e principalmente evitar paragens nos serviços por falta de algum equipamento. O principal objetivo desta ferramenta, e também um bom principio de gestão, passa pelo acompanhamento da vida útil de um equipamento. Sendo este um ponto crucial para melhorar a eficácia do processo de manutenção e determinante para controlar o desempenho do equipamento, pois com este acompanhamento é possível compreender as dificuldades encontradas durante a sua utilização, como falta de peças, problemas na formação transmitida aos profissionais de saúde, mas também corrigir problemas que poderiam tomar dimensões indesejadas e custos acrescidos [69]. A plataforma de apoio à gestão de equipamentos de eletromedicina que se utilizou ao longo do estágio foi o Nextbitt, criado em 2015. A Nextbitt surge como uma solução para a melhoria dos seguintes aspetos [70]: • Gestão de ativos: Controlando o ciclo de vida de todos os equipamentos com a plataforma de gestão de ativos; • Gestão de manutenção: Criando, personalizando e controlando por completo os planos de manutenção dos equipamentos; • Gestão de inventário: Organizando todas as informações associadas a cada equipamento; • Gestão de todas as ordens de trabalho: Controlando todas as ordens de trabalho de todos os serviços do hospital; • Gestão de auditoria: Simplificando a recolha e organização da informação durante o processo de auditoria. Até ao final da atual secção, vai ser feita uma breve descrição sobre a utilização desta ferramenta. Quando o utilizador se autentifica, o site remete-lhe para o menu principal, Figura 4.4. Ana Carina Rodrigues Vicente 63 4.6. Plataforma de gestão da manutenção Figura 4.4: NextBitt : Menu principal É possível aplicar filtros de modo a facilitar a pesquisa de informação; neste caso, o filtro aplicado foi para que se conseguisse ter acesso direto a todas as corretivas em curso. Relativamente à gestão dos pedidos de manutenções corretivas, com esta pla- taforma é possível recebermos todas as notificações de novas OT’s, e acompanhar o processo desde o início até ao fim da sua intervenção, controlando os custos e o impacto da operação nos serviços [71]. Quando o utilizador quiser explorar outras funcionalidades, pode pesquisar no menu, Figura 4.5, sendo possível ter acesso à informação de todos os ativos, desde a sua introdução nos serviços, ao ciclo de manutenções e por fim ao abate, dando como exemplo as seguintes funcionalidades [71]: • Preventiva: Possível acesso aos planos de manutenção preventiva, antecipando problemas nos equipamentos, que pode ser acedido por todos os colaborados e prestadores de serviço envolvidos; • Stocks: Verificação de todos os materiais existentes em stock no armazém das instalações, de forma a dar resposta rápida a alguma necessidade de substituição de material; • Relatórios: Acesso a todas as operações relacionadas com o ciclo de vida dos ativos físicos. 64 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 4. Tarefas de apoio à manutenção Figura 4.5: NextBitt : Menu Ao selecionar a opção Ativos, Figura 4.6, é possível verificar todos os equipa- mentos existentes no hospital. Figura 4.6: NextBitt : Ativos Ao carregar no ativo pretendido, consegue obter todas as informações sobre o mesmo. No caso: • O seu número de inventário; • A sua descrição; Ana Carina Rodrigues Vicente 65 4.6. Plataforma de gestão da manutenção • A marca; • O modelo; • O número de série; • A sua localização; • O histórico de intervenções; • Manutenções preventivas planeadas; • Documentos obrigatórios, como calibrações e certificações. Para além do site, existe também uma aplicação para o telemóvel, com o objetivo de ajudar o TE no seu trabalho quando este se tem que deslocar a algum serviço, como acontece nas equipas móveis, mantendo-se na mesma atualizado dos serviços de manutenção que possam surgir. Ao iniciar a aplicação o utilizador consegue ter acesso às mesmas notificações associadas à sua conta, consegue ter acesso às mesmas notificações que teria se acedesse a partir de um terminal de computador. Desta forma, consegue observar as manutenções que estão planeadas, iniciadas, finalizadas, entre outras, como se pode verificar na Figura 4.7. Figura 4.7: Página inicial da aplicação para o telemóvel: NextBitt 66 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 4. Tarefas de apoio à manutenção Ao carregar no menu, Figura 4.8, é possível ter acesso, por exemplo, às seguintes funcionalidades: • Ordens de trabalho: É possível verificar as OT que se encontram atribuídas, em curso, pendentes e finalizadas; • Calendário: Onde estão marcados todos os serviços, quer de empresas externas que irão prestar serviço na unidade, como dos técnicos internos; • Levantamento de ativos: funcionalidade que existe apenas na aplicação do telemóvel, e é onde se realiza o pré-ativo de um equipamento quando ele chega às instalações. Figura 4.8: Menu da aplicação para o telemóvel: NexBitt Ana Carina Rodrigues Vicente 67 4.7. Trabalho complementar 4.7 Trabalho complementar Durante o estágio foi lançado um desafio complementar à aluna e que consistiu na elaboração da da ficha da manutenção preventiva de um DAE, Secção 4.7.1 e a ficha da manutenção preventiva de audiologia, Secção 4.7.2. 4.7.1 Manutenção preventiva DAE As tarefas que a aluna achou indicadas para a realização de uma manutenção preventiva a um DAE foram: • Verificação da localização do DAE; • Estado geral do chassis; • Limpeza exterior; • Verificação das pás descartáveis; • Verificação do painel frontal e funcionamento dos controlos; • Verificação da data de validade da bateria; • Verificação do estado/luz do indicador de serviço; • Realização do teste DAE Alert (rotina); • Verificação do ajuste do volume e brilho; • Verificação dos alarmes sonoros; • Controlo de energia (pacientes adultos); – Energia Mínima; – Energia Média; – Energia Máxima; • Controlo de energia (pacientes pediátricos); – Energia Mínima; – Energia Média; – Energia Máxima; • Colocação da etiqueta de manutenção. 68 Mestrado em Instrumentação Biomédica Capítulo 4. Tarefas de apoio à manutenção 4.7.2 Manutenção preventiva a equipamentos de audiologia As tarefas que a aluna achou indicadas para a realização de uma manutenção preventiva a equipamentos de audiologia foram: • Estado geral do chassis; • Indicação Ligação da rede/verificar fusíveis; • Verificar Apoios/Fixação; • Verificar Tomada de alimentação/Cabo de alimentação; • Verificação dos cabos e conectores; • Verificação do painel frontal; • Ensaio de Controlos/Teclados; • Inspeção Visual/Limpeza Técnica; • Verificação/Limpeza Ventilador; • Verificar alarmes visuais/acústicos; • Teste de sinais acústicos; • Verificação da calibração do equipamento; • Número do certificado/ Relatório de calibração; • Ensaio de segurança elétrica - Corrente Fuga; • Ensaio de segurança elétrica - Resistência Terra; • Limpeza e desinfeção; • Ajustes; • Substituição de material; • Registo de intervenção na etiqueta; • Registo de equipamento de teste; • Colocação da etiqueta de manutenção. Ana Carina Rodrigues Vicente 69 Capítulo 5 Conclusões O estágio curricular descrito neste documento foi realizado numa empresa - Althea - que presta serviços de manutenção de equipamentos médicos em regime de outsourcing, a inúmeras unidades de saúde a nível nacional. A aluna integrou o departamento de manutenção de equipamentos de eletromedicina da empresa. A experiência da aluna, não só ao nível das competências técnicas adquiridas mas também ao nível das soft skills, foi grandemente enriquecida por lhe ter sido dada a possibilidade de ser integrada, durante metade do período de estágio, na equipa móvel da Althea na zona centro e, na segunda metade do estágio, ter sido integrada na equipa residente da Althea no Hospital CUF Coimbra. Os objetivos traçados foram cumpridos e dos quais se destacam os seguintes: en- tender o papel de um técnico de eletromedicina em ambiente hospitalar (Capítulo 2), conhecer mais detalhadamente o enquadramento legal e normativo associado aos equi- pamentos médicos (Capítulo 2), adquirir conhecimentos práticos mais aprofundados sobre os equipamentos de eletromedicina (Capítulo 3), conhecer e realizar processos de manutenção preventiva e corretiva aos equipamentos (Capítulo 3), trabalhar com uma nova plataforma de apoio à gestão da manutenção em contexto real (Capítulo 4), conhecer e acompanhar os processos administrativos que a gestão da manutenção envolve (Capítulo 4) e, por fim, ter a oportunidade de adquirir a experiência de acompanhar duas realidades distintas, designadamente a de uma equipa móvel e de uma equipa residente. Os equipamentos médicos são ferramentas cruciais para que o profissional de saúde possa fazer o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos seus pacientes. Por essa razão, é de extrema importância que os equipamentos estejam, sempre, nas melhores condições possíveis. A evolução da tecnologia também se reflete no nível de sofisticação dos equipamentos médicos. E, para além disso, os procedimentos de gestão da manutenção baseados em "papel e esferográfica"estão a ser substituídos por plataformas de software de apoio à gestão da manutenção. Pelo exposto, é necessário que o nível de conhecimentos e habilitações dos recursos humanos a trabalhar nesta 71 5.1. Apreciação pessoal área acompanhe esta evolução, pelo que faz todo o sentido que um estágio curricular ao nível da formação do 2ºciclo seja feito nesta área. 5.1 Apreciação pessoal As duas equipas da Althea Portugal em que a aluna foi inserida desempenharam um papel fundamental na partilha e aquisição de conhecimentos em contexto real. A realidade de ter de interiorizar uma rotina de trabalho, o cumprimento dos horários da empresa, a consciencialização do sentido de responsabilidade, o aumento crescente de autonomia e a capacidade de liderança foram aspetos que a aluna salienta como tendo sido muito positivos. Em termos de objetivos adicionais pessoais, a aluna gostaria de ter experienciado a realização de uma intervenção de manutenção corretiva no bloco operatório com um procedimento cirúrgico em curso (com o objetivo de a aluna saber como reagiria perante essa situação de stress). No final do estágio, é possível confirmar o aumento do interesse da aluna pela área da manutenção de equipamentos de eletromedicina bem como pela área da gestão dos mesmos, revelando-se assim que a escolha do estágio nesta área foi uma aposta ganha. 72 Mestrado em Instrumentação Biomédica Bibliografia [1] Althea Group. Perfil da Althea. https://www.althea-group.com/pt/perfil/. [Online; Acedido 24-Outubro-2021]. [2] Tua Saúde. 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