Percorrer por autor "Miranda, Marta Helena O´Neill"
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- Principais Agentes Identificados Em Citologias E Culturas Auriculares Em Cães E Gatos - Estudo Retrospetivo De Um Hospital Da Região Centro De PortugalPublication . Miranda, Marta Helena O´Neill; Figueira, Ana Catarina Pais dos SantosA otite é uma patologia dermatológica que afeta o ouvido externo, médio e/ou interno, sendo frequente em clínica de animais de companhia. Calcula-se que afete entre 5 a 20 % da população canina e 2 a 10% da felina. Muitas vezes a sua frequência está subestimada. O uso descontrolado de agentes antimicrobianos e o surgimento de resistências a estes medicamentos previamente eficazes é uma das maiores preocupações atuais da comunidade científica, numa perspetiva de uma só saúde “One Health”. O presente trabalho refere-se a um estudo retrospetivo de animais de companhia, em cães e gatos, que recorreram ao Hospital Veterinário Universitário de Coimbra (HVUC) com sinais clínicos compatíveis com otite externa. Baseou-se na recolha e compilação dos resultados de citologias e culturas auriculares, bem como de Teste de Sensibilidade a Antimicrobianos, de cães e gatos atendidos no referido Hospital entre o período de janeiro de 2019 e dezembro de 2023, enviados para laboratório independente externo, Genevet®. Foram analisados 248 animais, 216 canídeos e 32 felídeos. Destes, 182 revelaram uma cultura bacteriana positiva. Houve uma maior prevalência de otites em cães do que em gatos, com 6452% e 8,87% da população em estudo, respetivamente. Avaliando a prevalência por espécie animal, 74.07% dos cães e 68,75% dos gatos obtiveram um resultado positivo na cultura bacteriana. Através deste estudo foi possível caracterizar a otite externa canina e felina registados neste Hospital, podendo concluir que os cães mais afetados pela otite externa, essencialmente bilateral, são maioritariamente adultos, com mais de 5 anos de idade, do sexo masculino e de raça Bulldogue Francês. Por sua vez, os gatos mais afetados pela otite externa, frequentemente bilateral, são maioritariamente adultos, com idade inferior a 5 anos de idade, do sexo masculino e sem raça definida. A patologia concomitante com otite externa mais frequente em cães foi atopia, enquanto que, em gatos foi o Síndrome Atópico Felino. Os principais agentes envolvidos em canídeos foram Staphylococcus coagulase-positivos (S. pseudintermedius e Staphylococcus pseudintermedius resistente à meticilina- MRSP), Pseudomonas spp. e Malassezia spp., sendo frequente a infeção polimicrobiana. Estas ocorreram em 22 casos, apenas em cães. A associação mais frequente foi Pseudomonas aeruginosa com E.coli e Pseudomonas aeruginosa com S. pseudintermedius. Em gatos, os principais agentes isolados foram o Staphylococcus spp. e Pasteurella multocida. A multi-resistência aos antibióticos observada revelou-se significativa, essencialmente quando surge Pseudomonas spp. As otites externas por este agente, especialmente P. aeruginosa, são as mais desafiantes para a classe científica, devido aos seus níveis elevados de resistências. Esta bactéria apresentou resistência para quase todos os agentes antimicrobianos, entre os quais as penicilinas (amoxicilina e amoxicilina + ácido clavulânico), tetraciclina e cloranfenicol. Neste estudo foi possível verificar que o antibiótico para os quais as bactérias envolvidas na otite externa apresentaram maior resistência foi a amoxicilina, seguido da tetraciclina. De forma a melhorar e completar a informação resultante deste de trabalho seria interessante englobar um maior número de animais, uniformizar dados relativamente a patologias concomitantes, bem como recolher dados sobre as abordagens terapêuticas instituídas e respostas clínicas às mesmas.
