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A pessoa em situação neurocrítica vítima de traumatismo cranioencefálico: abordagem de enfermagem especializada
Publication . Cabral da Silva, Beatriz; Marques, Rita
O traumatismo cranioencefálico é uma das principais causas de morte e incapacidade a nível mundial, caracterizando-se pela elevada complexidade fisiopatológica e prognóstica. A pessoa em situação neurocrítica apresenta, frequentemente, alterações agudas de autorregulação cerebral e fenómenos de hipertensão intracraniana, principais indutores da lesão cerebral secundária. Na ausência de terapêutica específica, a abordagem centra-se na prevenção de novas lesões, através da deteção precoce e intervenção sistematizada, sustentada na neuromonitorização multimodal e na atuação de equipas qualificadas.
Neste contexto, o enfermeiro especialista assume um papel essencial na vigilância contínua, na identificação precoce de complicações e na implementação de intervenções direcionadas à estabilidade neurológica e hemodinâmica.
Este relatório, desenvolvido no âmbito do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de especialização em Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica, visa descrever de forma analítica, crítica e reflexiva o percurso de aquisição e desenvolvimento de competências especializadas e a integração do conhecimento teórico na prática clínica.
O desenvolvimento deste trajeto encontra-se assente na metodologia descritiva e crítico-reflexiva, centrado na abordagem de enfermagem à pessoa em situação crítica. De modo específico são abordados os cuidados à pessoa vítima de traumatismo cranioencefálico, desde a avaliação inicial em serviço de urgência, estabilização hemodinâmica e controlo da hipertensão intracraniana, até à neuromonitorização em cuidados intensivos e vigilância pós-operatória. São ainda descritas intervenções da equipa de Emergência Médica Intra-Hospitalar e estratégias de gestão da dor.
As experiências vivenciadas fortaleceram o pensamento crítico, a tomada de decisão clínica e o compromisso ético-legal, o que fomentou a qualidade e a segurança nos cuidados. A prática baseada na evidência e as teorias de Patricia Benner e Afaf Meleis, contribuíram para corroborar conhecimento na prevenção da lesão secundária e na otimização dos outcomes da pessoa em situação neurocrítica vítima de traumatismo cranioencefálico.
Impacto das experiências de infância e da regulação emocional nos sintomas obsessivo-compulsivos
Publication . Caramelo, Gonçalo João Martins; Almeida, Telma; Castro, Elisa Kern de
O desenvolvimento humano está, desde cedo, sujeito à influência de experiências que podem influenciar significativamente os indivíduos. Tanto experiências positivas como adversas durante a infância, podem ter efeitos com repercussões ao longo da vida adulta. A literatura tem demonstrado que as experiências adversas na infância podem potenciar a sintomatologia psicopatológica, como os sintomas obsessivo-compulsivos. Em contrapartida, as experiências positivas na infância podem manifestar um efeito protetor no desenvolvimento de psicopatologia. Adicionalmente, as dificuldades de regulação emocional poder ter também impacto no desenvolvimento de sintomas obsessivo-compulsivos. O presente estudo teve o objetivo de analisar a relação entre experiências positivas e adversas na infância, sintomas obsessivo-compulsivos e dificuldades de regulação emocional. A amostra foi composta por 206 adultos (168 mulheres e 38 homens) que responderam ao questionário sociodemográfico, à Benevolent Childhood Experiences Scale, ao Adverse Childhood Experiences Questionnaire, a Difficulties in Emotion Regulation Scale – Short Form e ao Obsessive-Compulsive Inventory-Revised. Os resultados evidenciaram relações significativas entre as variáveis em estudo e diferenças entre sexos nos sintomas obsessivo-compulsivos. As análises de regressão demonstram o papel preditor do sexo, idade, experiências positivas na infância e negligência emocional nos sintomas obsessivo-compulsivos. As dificuldades de regulação emocional apresentaram-se como um mediador parcial da relação entre experiências positivas na infância e sintomas obsessivo-compulsivo, como também na relação entre negligência emocional e sintomas obsessivo-compulsivo. As experiências positivas na infância apresentaram um poder de moderação na relação entre negligência física e sintomas obsessivo-compulsivo. Estes resultados destacam a importância das experiências positivas e adversas na infância para o desenvolvimento de sintomas obsessivo-compulsivos, tal como o papel mediador das dificuldades de regulação emocional.
Preditores do prazer sexual : dificuldades na regulação emocional e aborrecimento sexual
Publication . Descalço, Ana Sofia da Silva; Cardoso, Jorge; Querido, Luís
O prazer sexual é uma componente essencial da saúde e bem-estar sexual, sendo influenciada por fatores emocionais, relacionais e sociodemográficos. Este estudo transversal teve como objetivo explorar os preditores do prazer sexual, com ênfase nas dificuldades na regulação emocional e no aborrecimento sexual, analisando também o impacto das variáveis sociodemográficas (género, idade, orientação sexual, estatuto relacional) e do consumo de pornografia.
A amostra foi composta por 535 adultos (M = 27,34; DP = 10,74), maioritariamente mulheres (71,4%). A recolha de dados foi realizada online através de questionários de autorrelato, incluindo a Escala de Prazer Sexual (SPS), a Escala de Dificuldades na Regulação Emocional – Formato Curto (DERS-SF) e a Escala de Aborrecimento Sexual (SBS).
Os resultados indicaram níveis elevados de prazer sexual, níveis moderados de dificuldades na regulação emocional e baixos níveis de aborrecimento sexual. Verificaram-se correlações negativas significativas entre o prazer sexual, as dificuldades na regulação emocional (r = -.16) e o aborrecimento sexual (r = -.12). O modelo de equações estruturais confirmou que as dificuldades emocionais foram o preditor mais forte (β = -.25), seguidas pelo aborrecimento sexual, idade e dificuldades sexuais. Observaram-se ainda diferenças significativas em função do género, orientação sexual e estatuto relacional.
Estes resultados sublinham a importância das competências de regulação emocional e da prevenção do aborrecimento sexual, bem como a relevância de uma abordagem contextualizada e interseccional na promoção do bem-estar sexual.
A experiência de sobreviver ao cancro : o papel da rede de apoio e o medo da recorrência
Publication . Bartier, Lauriane; Castro, Elisa Kern de; Binet, Michel
A presente dissertação visa explorar a experiência vivida por mulheres sobreviventes de cancro da mama, com especial enfoque no medo da recidiva e no papel do apoio social na adaptação à vida pós-doença. O estudo segue um desenho qualitativo exploratório.
Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas a seis mulheres portuguesas em remissão há, pelo menos, um ano, com o objectivo de compreender como experienciam o medo da recidiva e de que forma a sua rede de apoio influencia o percurso de sobrevivência.
As entrevistas, conduzidas online, foram gravadas e analisadas através de análise de conteúdo, com o apoio do software ELAN. A análise revelou dois temas centrais, medo da recidiva e apoio social, com quatro subtemas cada. No medo da recidiva emergiram:
1) insegurança face ao futuro; 2) hipervigilância e necessidade de controlo; 3) ansiedade perante exames de rotina; 4) influência do sistema de saúde neste medo. No apoio social, os subtemas foram: 1) apoio familiar; 2) apoio de amigos; 3) apoio de profissionais de saúde; 4) apoio de outras mulheres sobreviventes. Os resultados mostram que o medo da recidiva é vivido de forma intensa e persistente, influenciado tanto por factores individuais como contextuais. O apoio social revelou-se um recurso crucial na resiliência das participantes. Os apoios da família, dos amigos, dos profissionais de saúde, especialmente psicólogos, e dos pares desempenham papéis complementares na adaptação emocional e na reconstrução da identidade pós-cancro.
Conclui-se que a sobrevivência ao cancro da mama não marca o fim do processo, mas sim o início de uma nova fase que exige acompanhamento contínuo. Recomenda-se a criação de intervenções psicológicas específicas para a gestão do medo da recidiva e o fortalecimento de redes de apoio, reconhecendo e valorizando a complexidade da vivência das sobreviventes.
Planeamento estratégico de longo prazo no domínio da guerra cognitiva: Utilização de estudos de futuros no ciclo OODA
Publication . Santos, Luis Pedro Vaz dos; Ferreira, Pedro Antunes
A dissertação "Planeamento estratégico de longo prazo no domínio da guerra cognitiva: Utilização de estudos de futuros no ciclo OODA" aborda...
